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“TENTEI APROVEITAR O QUE AINDA DAVA, MAS QUASE TUDO FICOU ESTRAGADO”, MADALENA MULHOVO

CAPA

Quando finalmente a água baixou e conseguiu voltar, o cenário era desolador. As esteiras que produzia estavam molhadas, o pouco mobiliário danificado, as roupas e utensílios cobertos de lama.

A vida de Madalena Mulhovo, residente no bairro Sambo, no posto administrativo de Xinavane, distrito da Manhiça, mudou num curto espaço de tempo. Com deficiência e conhecida na comunidade pelo seu trabalho paciente na produção de esteiras que vendia para garantir o sustento, viu a água invadir a sua casa sem pedir licença.

Quando as cheias tomaram conta do bairro, Madalena não teve como sair sozinha. Foram os vizinhos que, num gesto de solidariedade, a ajudaram a abandonar a casa inundada e a alcançar uma zona mais alta e segura. Ali permaneceu durante 10 dias, longe do pouco que tinha e vivia a incerteza de não saber o que encontraria no regresso.

Quando finalmente a água baixou e conseguiu voltar, o cenário era desolador. As esteiras que produzia estavam molhadas, o pouco mobiliário danificado, as roupas e utensílios cobertos de lama. 

“Tentei aproveitar o que ainda dava, mas quase tudo ficou estragado”, contou, enquanto estendia ao sol alguns pertences na esperança de os recuperar.

Num gesto de solidariedade e resposta urgente, a Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) procedeu à entrega de um kit de emergência a Madalena. O kit é composto por uma rede mosquiteira, uma manta, baldes de 20 e 10 litros, uma esteira, pasta dentífrica, quatro escovas de dente, um frasco de Certeza (150ml), um quilograma de detergente em pó, duas barras de sabão e peças de vestuário — itens essenciais para restabelecer um mínimo de dignidade e protecção.

A distribuição foi realizada pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), com o apoio local do Núcleo Académico para o Desenvolvimento da Comunidade (NADEC) e do Movimento Activista do distrito da Manhiça, com fundos mobilizados pela ActionAid International. A entrega contou com a presença da Directora Interina da AAMoz, Márcia Cossa.

Ao todo, a resposta humanitária apoiou 300 famílias nos postos administrativos de Xinavane, 3 de Fevereiro e Ilha Josina Machel, no distrito da Manhiça. 

Tal como Madalena, muitas pessoas com deficiência foram afectadas pelas cheias em Xinavane e precisam de apoio urgente. Apesar das dificuldades, Madalena continua com a mesma determinação que lhe caracteriza e motivada para voltar a tecer esteiras para reconstruir sua vida.