NEGÓCIO PRÓPRIO, FILHA NA ESCOLA E IRMÃ MATRICULADA: O Impacto da Alocação do Fundo aos Grupos de Poupança
“Antes do projecto não desempenhava nenhuma actividade de geração de renda. Agora tenho o meu próprio negócio e consigo suprir algumas necessidades básicas, como a compra de uniforme e material escolar para a minha filha que está na 5.ª classe. Com este dinheiro de poupança, consegui também tratar o certificado da minha irmã e matriculá-la na escola".
Denise José, de 29 anos, partilhou publicamente os resultados que já alcançou graças ao projecto Prevenção do Extremismo Violento, durante a segunda fase de alocação do fundo rotativo ao seu grupo de poupança, realizada a 27 de Fevereiro em Paquitequete pelo Conselho Cristão de Moçambique (CCM-CD), em parceria com a Associação ActionAid Moçambique (AAMoz).
“Antes do projecto não desempenhava nenhuma actividade de geração de renda. Agora tenho o meu próprio negócio e consigo suprir algumas necessidades básicas, como a compra de uniforme e material escolar para a minha filha que está na 5.ª classe. Com este dinheiro de poupança, consegui também tratar o certificado da minha irmã e matriculá-la na escola".
O testemunho foi feito no momento em que o grupo recebeu a segunda tranche de 12.500 meticais, completando os 62.500 meticais atribuídos a cada um dos quatro grupos de Poupança e Crédito Rotativo dos bairros de Paquitequete e Maringanha, na cidade de Pemba.
Ao todo, foram alocados 250.000 meticais, beneficiando directamente 120 jovens, 30 membros por grupo, no âmbito do fundo rotativo destinado à incubação e expansão de pequenos negócios.
Denise, membro do primeiro grupo de Paquitequete, é hoje proprietária de um pequeno negócio de iogurte de malambe, actividade que lhe garante autonomia económica e contribui para o sustento familiar. A sua intervenção, feita perante membros da comunidade e representantes institucionais, simbolizou o resultado concreto do investimento: jovens que passaram da inactividade para o empreendedorismo.
Segundo Fátima Artur, representante do segundo grupo de Paquitequete, a maioria dos membros já iniciou pequenos negócios:
“O nosso grupo contém 30 membros, e muitos já têm actividades geradoras de renda fruto da poupança.”
Antes da alocação do fundo, os grupos beneficiaram de formação em literacia financeira e gestão de negócios. Ana Paulino sublinhou que o treinamento foi determinante para que os membros investissem de forma responsável e sustentável.
Em Maringanha, o impacto também se reflecte na dimensão social. Meaça Vasco, membro do grupo local, defendeu que a iniciativa vai além do financiamento:
“A poupança tem e deve continuar a ser um instrumento de coesão social na comunidade. Serve também de inclusão, porque recebemos membros que poupam cada um ao seu nível, sem discriminação".
Para a liderança comunitária, os resultados são visíveis. Gregane de Amorim, representante do chefe do bairro de Paquitequete, afirmou que jovens que antes estavam sem ocupação hoje desenvolvem actividades produtivas, reduzindo a vulnerabilidade social.
O fundo rotativo foi concebido para promover sustentabilidade financeira, fortalecer a autonomia dos grupos e assegurar uma taxa elevada de reembolso, permitindo a continuidade do ciclo de apoio.
Num contexto marcado por desafios socioeconómicos, os resultados começam a evidenciar-se: negócios criados, renda familiar reforçada, educação garantida e comunidades mais coesas.
A iniciativa enquadra-se no Projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado em Cabo Delgado, Niassa e Nampula, até 2026, pela ActionAid Moçambique em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Movimento Activista Moçambique (MAM) e Associação Kuendeleya com o apoio do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF) através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).