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DE VOLTA A BUNA: “NÃO É COMO ANTES, MAS PELO MENOS ESTAMOS JUNTOS"

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Quando a encontrámos pela primeira vez, Victória Luís,  no centro de reassentamento de 3 de Fevereiro, no distrito da Manhiça, a Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) fazia o levantamento de necessidades das vítimas das inundações e cheias. À sua volta, três crianças, todas apoiadas pelo Programa de Patrocínio da AAMoz — uma delas com deficiência — tentavam adaptar-se a uma nova rotina feita de incertezas, depois das cheias terem invadido a comunidade de Buna e levado praticamente tudo. 

Dias antes, a água chegara à altura dos ombros. Victória Luís e os filhos ficaram retidos dentro de casa até serem resgatados, sem tempo para salvar bens ou documentos. “Ficámos dentro de água. Tudo foi levado”, contou na altura, ainda em choque. O marido permanecera em Buna, isolado, sem comunicação, numa tentativa desesperada de proteger o pouco que restava.

Alguns dias depois, com o nível das águas a baixar, a família decidiu regressar a Buna. O cenário encontrado era desolador: lama acumulada, paredes marcadas pela água e utensílios espalhados ou destruídos. Mas havia também um alívio — o marido estava bem. Não abandonara a zona; ficara para guardar os bens que a corrente não conseguiu arrastar.

Foi nesse contexto que a AAMoz deslocou-se a Buna para prestar assistência directa à família. Victória e sua família recebeu kits de emergência composto por uma rede mosquiteira, uma manta, baldes de 20 e 10 litros, uma esteira, pasta dentífrica, quatro escovas de dente, giletes, um frasco de Certeza (150ml), um quilograma de detergente em pó, duas barras de sabão, dois pacotes de pensos higiénicos e peças de vestuário.

A filha com deficiência, que no centro de acomodação enfrentava dificuldades acrescidas devido à falta de condições adequadas, encontra-se agora num ambiente mais familiar, embora ainda marcado pela precariedade. A casa precisa de reparações e muitos bens continuam por substituir. Ainda assim, a reunificação da família devolveu alguma estabilidade emocional às crianças.

“Não é como antes, mas pelo menos estamos juntos”, disse Victória, depois de receber os kits. 

Ao todo, a resposta humanitária apoiou 300 famílias nos Postos Administrativos de Xinavane, 3 de Fevereiro e Ilha Josina Machel no distrito da Manhiça.