Experiências reais e soluções locais: entre quem já sustenta a família e quem procura recomeçar do zero
𝐀𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐚𝐬 𝐦𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫𝐞𝐬, 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚 𝐯𝐮𝐥𝐧𝐞𝐫𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐞𝐦 𝐚𝐮𝐭𝐨𝐧𝐨𝐦𝐢𝐚.
“Com o negócio de venda de chamussas consigo suprir algumas necessidades de casa, como pagar energia e a faculdade da minha neta”, partilha Énia Aune, da comunidade de Mariganha, incentivando outras mulheres a verem o negócio como um caminho real para a autonomia.
Do outro lado, Rábia Assane, deslocada de Macomia, traz consigo um percurso interrompido pelo conflito:
“Na minha terra, em Macomia, sustentava a minha família com o meu negócio de venda de peixe. Hoje, aqui, ainda não tenho dinheiro para recomeçar, mas com este treinamento sinto-me mais confiante e preparada, porque aprendi a gerir melhor o meu dinheiro e o meu negócio”.
No bairro de Maringanha, na cidade de Pemba, mulheres deslocadas pelo conflito armado e mulheres da comunidade anfitriã partilham o mesmo espaço, mas também as mesmas incertezas: acesso limitado a rendimento, pressão sobre recursos escassos e maior exposição a vulnerabilidades sociais e económicas.
Tal como Rábia, um total de 35 mulheres do Espaço Seguro de Maringanha aumentaram a sua capacidade de planificação e gestão de recursos ao participarem no treinamento em literacia e gestão financeira. Esta iniciativa contribuiu também para reforçar a coesão entre mulheres deslocadas e as comunidades anfitriãs, promovendo o aumento da autonomia como factor de redução dos riscos de violência baseada no género e fortalecendo a capacidade de tomada de decisão.
É neste quadro que a Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), no âmbito do Projecto de Coordenação Estratégica da Área de Resposta Humanitária financiado pelo People’s Postcode Lottery (PPL), em articulação com instituições governamentais, promoveu o treinamento em literacia financeira e gestão de pequenos negócios, ministrado pela Direcção Provincial de *Género*, Criança e Acção Social (DPGCAS).
O evento contou ainda com a participação de representantes do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) e da liderança comunitária local, reforçando a articulação entre a sociedade civil, as autoridades governamentais e os beneficiários, e garantindo uma abordagem integrada no fortalecimento das capacidades socioeconómicas da comunidade.