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Jovens de Lichinga apresentam soluções comunitárias para prevenção do extremismo e desenvolvimento inclusivo na SADC

Jovens de Lichinga apresentam soluções comunitárias para prevenção do extremismo e desenvolvimento inclusivo na SADC

Prevenção do Extremismo Violento

Jovens das comunidades de Lichinga, em Niassa, apelam ao Governo, parceiros de desenvolvimento e organizações regionais para reforçar boas práticas comunitárias, integrar os direitos nas políticas públicas, garantir financiamento inclusivo e fortalecer a participação juvenil na tomada de decisão, para prevenir o extremismo violento e promover a coesão social.

O encontro realizado no dia 29 de Março teve como principal objectivo recolher contribuições locais para o diálogo regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) sobre governação inclusiva, consolidação da paz, prevenção do extremismo e desenvolvimento sustentável. 

A iniciativa contou com o apoio da Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) e reuniu representantes da juventude, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias das comunidades de Malica, Naossa, Matemangue, Lussanhando e Cidade de Lichinga, no Instituto Industrial e Comercial Ngungunhane. Os participantes trabalharam em conjunto para construir um documento de posição que refletisse as principais preocupações e propostas locais.

Entre os principais desafios identificados, os jovens destacaram o elevado nível de desemprego e o acesso limitado ao financiamento, apontando-os como barreiras críticas ao desenvolvimento. Como resposta, propuseram a criação de fundos públicos para reforçar iniciativas comunitárias, a promoção de cadeias de valor agrícolas com participação juvenil e o apoio à incubação de pequenos negócios locais, estratégias que também contribuem para reduzir a vulnerabilidade dos jovens ao recrutamento por grupos violentos.

Além disso, os jovens identificaram a falta de transparência e de participação como entraves ao desenvolvimento inclusivo e à prevenção do extremismo. Para superar estas dificuldades, propuseram a reactivação de vitrines comunitárias de informação pública, a inclusão efectiva dos jovens nos conselhos consultivos e o reforço da monitoria social e mecanismos de prestação de contas.

As comunidades também destacaram preocupações com criminalidade, consumo de drogas, educação e acesso à saúde. Como respostas, propuseram a criação de espaços seguros, policiamento comunitário, expansão dos círculos Reflect, investimento em educação inclusiva e melhorias nos serviços de saúde, incluindo educação sexual, apoio psicossocial e formação de agentes comunitários, fortalecendo em simultâneo, a coesão social e a resiliência comunitária frente à violência.

“As iniciativas de poupança e o Reflect mudaram a minha vida. Hoje sei ler, escrever e contribuir para a minha comunidade”, partilhou Zaida Amisse, de 22 anos, referindo-se ao Reflect, uma metodologia aplicada pela ActionAid para capacitar os beneficiários em habilidades essenciais para a vida. 

Já Amosse Diksson, jovem líder de Naossa, afirmou:

 “Agradecia que o governo criasse um posto policial na minha comunidade para reforçar a segurança”. 

Por sua vez, Ernesto Mpaquiua destacou a importância do debate: 

“Este debate ajudou a construir soluções conjuntas e sustentáveis, valorizando tanto os desafios como as boas práticas”.

A juventude destacou ainda a necessidade de fortalecer o tecido associativo, sugerindo a simplificação do registo de associações, a criação de fundos de apoio a organizações juvenis e a capacitação em liderança, gestão e advocacia.

Em linha com estas reflexões, os resultados do Projecto de Prevenção do Extremismo Violento (PVE) mostram-se como uma resposta concreta aos desafios enfrentados pela juventude. 

O projecto promove o empreendedorismo através de formação, feiras de emprego, acesso a financiamento e criação de grupos de poupança, enquanto reforça a participação cívica, o uso da metodologia Reflect e o envolvimento dos jovens em espaços de tomada de decisão. Ao articular inclusão económica, coesão social, prevenção da radicalização e participação juvenil, o PVE contribui directamente para transformar muitas das propostas do debate em soluções sustentáveis lideradas pela própria juventude.

A iniciativa enquadra-se no Projecto PVE, implementado em Cabo Delgado, Niassa e Nampula até 2026 pela ActionAid Moçambique, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Movimento Activista Moçambique (MAM) e Associação Kuendeleya, com o apoio do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF) através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).