DOS BOLINHOS NASCE UM FUTURO DE ESPERANÇA: A HISTÓRIA DE MUANAISHA RAMOS EM MATEMANGUE
“No grupo conseguimos poupar 4 mil meticais, e com esse valor comecei a comprar produtos para fazer e vender bolinhos. Isso fez muita diferença na minha vida”
Uma simples receita de bolinhos tornou-se um símbolo de mudança, esperança e resistência na comunidade de Matemangue, no distrito de Lichinga, província de Niassa. Aos 22 anos, Muanaisha Ramos mudou o quotidiano da sua família, através de um pequeno negócio que hoje inspira outros jovens da sua comunidade.
Com um sorriso tímido, mas mãos firmes e experientes, Muanaisha explica o processo que mudou a sua vida.
“Primeiro procuro lenha, depois preparo a massa com água, trigo, açúcar e fermento. Deixo a massa descansar e, quando o óleo está bem quente, começo a fritar os bolinhos”, contou.
O que antes parecia apenas uma actividade de subsistência, ganhou uma nova dimensão após a sua entrada no grupo de poupança e crédito rotativo da comunidade. Foi aí que encontrou apoio, confiança e uma oportunidade concreta de crescer.
“No grupo conseguimos poupar 4 mil meticais, e com esse valor comecei a comprar produtos para fazer e vender bolinhos. Isso fez muita diferença na minha vida”, explicou.
Hoje, os ganhos vão muito além da alimentação diária. Muanaisha fala com entusiasmo sobre as conquistas que antes pareciam distantes.
“Agora conseguimos comprar cadernos, canetas, dinheiro para moagem, sabão e muitas outras coisas. Já conseguimos também comprar cadeiras e panelas, coisas que antes não tínhamos”.
Na sua casa, a mudança é visível - bens adquiridos, dignidade e esperança que se fortaleceram. O seu marido, Isac Amide, de 27 anos, acompanha de perto esta mudança e vê nela um caminho claro para o futuro da juventude.
“Queremos apelar outros jovens a não se envolverem com o extremismo violento. Isso só destrói o nosso país. Podemos ser mais unidos, mais coesos, e escolher caminhos positivos”, afirmou.
Este impacto surge na sequência do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), uma iniciativa implementada pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).
O projecto aposta no fortalecimento dos meios de subsistência como estratégia para promover a paz, a coesão social e a estabilidade nas comunidades.
Importa referir que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).