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DOS BOLOS À MERCEARIA: A HISTÓRIA DE MUDANÇA DE BELINHA ALBERTO EM NAOSSA

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“Com o dinheiro que ganho, consegui construir uma casa, alimentar os meus filhos, comprar material escolar, roupa e outras coisas importantes para a nossa vida”.

Belinha Alberto tem 28 anos, vive comunidade de Naossa, no distrito de Lichinga, província de Niassa. Solteira e mãe de três filhos menores, tem uma rotina marcada por trabalho, resiliência e esperança. O que começou com um pequeno empréstimo no grupo de poupança e crédito rotativo (PCR) transformou-se numa história inspiradora de superação e conquista.

“Tinha muitas dificuldades financeiras e não conseguia nenhum emprego formal. Daí tomei uma decisão. Entrei para o grupo de poupança há pouco mais de dois anos. Comecei com um empréstimo de 5 mil meticais no grupo para fazer bolos”, recordou Belinha. Com esse valor, comprou ingredientes e passou a confeccionar bolos na sua comunidade, onde vendia de porta-a-porta e em pequenos eventos locais.

O negócio cresceu aos poucos e com os primeiros lucros, Belinha decidiu diversificar.

“Com o dinheiro que consegui com a venda dos bolos, comprei sementes e adubos para trabalhar na machamba”, contou. Foi assim que começou a produzir cenoura, batata e ervilha — uma decisão que viria a mudar ainda mais a sua vida.

Com disciplina e esforço, conseguiu produzir em quantidade e garantir mercado para os seus produtos.

“Na machamba consegui produzir 64 sacos de cenoura. Já tenho comprador de Nampula e vou vender cada saco a 1.200 meticais”, afirmou.

Depois de devolver o valor do empréstimo, Belinha deu mais um passo importante, abriu uma pequena mercearia na comunidade, onde vende produtos de primeira necessidade. Hoje, combina três fontes de rendimento, a venda de bolos, a produção agrícola e o comércio.

“Com o dinheiro que ganho, consegui construir uma casa, alimentar os meus filhos, comprar material escolar, roupa e outras coisas importantes para a nossa vida”, explicou.

Para Belinha, tudo começou com uma decisão, entrar para o grupo de poupança e crédito rotativo de Naossa.

“A minha vida começou a mudar desde que entrei no grupo. Poupar ajudou-me muito”, frisou.

Actualmente, Naossa conta com três grupos de poupança, que envolve cerca de 90 membros, muitos dos quais já beneficiaram de empréstimos para iniciar pequenos negócios ou investir na agricultura.

Este impacto é fruto do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), uma iniciativa implementada pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

O projecto aposta no fortalecimento dos meios de subsistência como estratégia para promover a paz, a coesão social e a estabilidade nas comunidades, criando alternativas concretas para famílias e jovens.

Importa referir que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).