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ESPAÇO AMIGO DA CRIANÇA DEVOLVE SORRISOS A CRIANÇAS AFECTADAS PELAS CHEIAS EM XINAVANE

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“Agora os encarregados deixam as crianças virem sozinhas porque perceberam que este espaço é seguro. As crianças precisam de apoio. Quando uma criança não tem apoio emocional, tudo fica mais difícil. Sem este espaço, muitas poderiam continuar traumatizadas, agressivas e sem esperança”, explicou.

As gargalhadas voltaram a ouvir-se no bairro de Sambo, Posto Administrativo de Xinavane, distrito da Manhiça. Depois das cheias e inundações que devastaram casas, destruíram bens e interromperam a vida de centenas de famílias, muitas crianças carregavam no silêncio os traumas deixados pela emergência. Algumas tinham medo de brincar, outras recusavam-se a falar, partilhar lápis ou conviver com outras crianças. 

Hoje, pouco a pouco, a esperança começa a renascer através dos Espaços Amigos da Criança estabelecido pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) e pelo Núcleo Académico para o Desenvolvimento Comunitário (NADEC), no âmbito da resposta humanitária às comunidades afectadas pelas cheias e inudanções.

No espaço, as crianças encontram jogos, brincadeiras, escuta, protecção, carinho e a oportunidade de voltar a ser crianças. Todos os dias, facilitadoras e facilitadores comunitários promovem sessões de apoio psicossocial, desenho, leitura, música, jogos educativos, actividades recreativas e momentos de socialização que ajudam as crianças a recuperar emocionalmente dos impactos das cheias.

“Quando começámos, muitas crianças estavam traumatizadas. Algumas não queriam brincar, outras tinham medo e nem conseguiam pronunciar bem os seus nomes. Havia crianças que lutavam entre si e outras que não queriam partilhar um simples lápis. Hoje vemos mudanças muito grandes. Brincam, conversam, sorriem e sentem-se seguras”, contou Francina Chongo, facilitadora do espaço.

Francina explicou ainda que, no início, muitas mães acompanhavam os filhos por receio e insegurança. Com o passar do tempo, a confiança cresceu dentro da comunidade. 

“Agora os encarregados deixam as crianças virem sozinhas porque perceberam que este espaço é seguro. As crianças precisam de apoio. Quando uma criança não tem apoio emocional, tudo fica mais difícil. Sem este espaço, muitas poderiam continuar traumatizadas, agressivas e sem esperança”, explicou.

Além do apoio psicossocial, o espaço tornou-se um símbolo de acolhimento para famílias que ainda enfrentam enormes dificuldades para reconstruir a vida após as cheias. 

“Este espaço é importante para ajudar as crianças a esquecerem o que aconteceu durante as cheias. Algumas não estudam por falta de condições nas escolas, mas aqui continuam a aprender e a conviver”, afirmou Mariana Ubisse, residente de Sambo e facilitadora, tendo acrescentando que “nós, como facilitadores, não devemos desistir destas crianças. Devemos continuar a trabalhar com elas porque têm sonhos. A minha filha participa neste espaço e diz que quer ser enfermeira. Outras crianças também têm sonhos e precisam de oportunidades”.

Mariana disse ainda que sempre teve paixão por trabalhar com crianças e que hoje sente orgulho ao ver o envolvimento crescente da comunidade. 

“Antes, algumas pessoas não levavam este trabalho a sério, mas agora já convidam outras crianças para participarem. As crianças gostam de aprender e gostam de estar aqui”.

À medida que se aproxima a Quinzena da Criança, que inicia a 1 de Junho e culmina a 16 de Junho, Dia da Criança Africana, cresce também o apelo para que mais pessoas, organizações e parceiros apoiem a continuidade dos Espaços Amigos da Criança em Sambo, Buna e outras comunidades afectadas pelas cheias na Manhiça.

Os facilitadores pedem apoio urgente em material escolar, brinquedos, alimentos, livros infantis, esteiras, material recreativo e recursos para fortalecer as actividades diárias com as crianças. 

“Este espaço é uma bênção. Sentimos que não estamos sozinhos perante esta situação. Há pessoas que olham por nós e caminham connosco. Queremos continuar a ver as nossas crianças felizes, porque as crianças são o futuro”, frisou Francina Chongo. 

Importa salientar que, os Espaços Amigos da Criança estabelecidos em Manhiça, continuam a ser refúgios de esperança, protecção e cura emocional para dezenas de crianças que desejam voltar a sorrir.