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Francisco como exemplo dos resultados do projecto financiado pelo GCERF através da ADIN na transformação de jovens em Chiúre

Francisco como exemplo dos resultados do projecto financiado pelo GCERF através da ADIN na transformação de jovens em Chiúre

Prevenção do Extremismo Violento

Francisco como exemplo dos resultados do projecto financiado pelo GCERF através da ADIN na transformação de jovens em Chiúre

Durante muito tempo, Francisco Gulete, de 34 anos, residente na comunidade de Mahipa, distrito de Chiúre, viveu dias marcados pela incerteza, pela falta de oportunidades e por escassas perspectivas de futuro, uma realidade partilhada por muitos jovens da província de Cabo Delgado, onde, desde 2017, o contexto de extremismo violento tem afectado a estabilidade social e económica das comunidades.

Sem emprego e sem conhecimentos para gerir o pouco rendimento que conseguia obter, enfrentava dificuldades para sustentar a família e via aumentar a sua vulnerabilidade socioeconómica.

“Sentia que não tinha um caminho claro para a minha vida. O pouco dinheiro que conseguia, acabava rápido porque eu não sabia gerir, poupar nem transformar aquilo em algo produtivo. Faltavam-me conhecimentos e oportunidades que pudessem garantir a minha autonomia, criar o meu próprio sustento e ajudar-me a construir um futuro melhor para a minha família”, recordou Francisco.

A mudança começou quando participou em formações promovidas pela Associação ASSANA, com apoio da Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), no âmbito do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), financiado pelo Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).

“Nas formações aprendi sobre literacia financeira, gestão de pequenos negócios, liderança juvenil e resolução pacífica de conflitos. Através do grupo de poupança e crédito rotativo consegui um empréstimo de 2.000 meticais, que usei para iniciar a minha actividade agrícola. Foi esse apoio que me permitiu começar a produzir e vender os meus próprios produtos e acreditar que também posso crescer através do meu trabalho”.

Com o apoio recebido, Francisco investiu na compra da sua própria machamba, onde actualmente produz milho, gergelim, feijão-verde, ervilha, banana e cana-doce, produtos destinados tanto ao consumo familiar como à venda. Hoje, consegue gerar um rendimento médio mensal de cerca de 3.000 meticais, o que lhe permite garantir alimentação para a família, manter os filhos na escola e continuar a poupar para expandir a sua actividade.

“Hoje consigo sustentar melhor a minha família e já penso no futuro de forma diferente. Aprendi que poupar e investir pode transformar a nossa vida. Antes passava muito tempo sem fazer nada, agora tenho uma ocupação positiva e consigo inspirar outros jovens a acreditarem no autoemprego e nas oportunidades criadas pelos grupos de Poupança e Crédito Rotativo (PCR)”, afirmou.

Francisco partilhou ainda que o projecto transformou a sua situação económica e a sua forma de ver a comunidade e o seu papel enquanto jovem.

“Nos centros juvenis e nas formações aprendemos sobre paz, tolerância e prevenção do extremismo violento. Hoje sentimos que a nossa voz é ouvida e que os jovens podem participar nas decisões da comunidade ao lado das lideranças locais e religiosas”, acrescentou.

Os resultados alcançados por Francisco tornaram-se visíveis durante uma visita conjunta de monitoria realizada no distrito de Chiúre, que reuniu representantes do GCERF, ADIN, Governo e parceiros de implementação.

Na ocasião, Francisco levou parte dos produtos da sua machamba para uma feira de partilha de resultados do projecto, onde contou que, através da poupança e do rendimento gerado pela actividade agrícola, conseguiu adquirir a sua própria machamba e construir a sua casa.

Impressionada com a sua trajectória, parte da delegação, liderada pela Directora Financeira da ActionAid, Ana Branquinho, percorreu cerca de oito quilómetros para visitar a machamba e constatar de perto como o acesso à poupança, crédito rotativo, literacia financeira e participação juvenil contribuíram para fortalecer a sua resiliência económica e social.

Durante uma visita conjunta de monitoria realizada no distrito de Chiúre, representantes do GCERF, ADIN, Governo e parceiros de implementação deslocaram-se a comunidade de Mahipa para acompanhar de perto os resultados alcançados pelo projecto. Parte da delegação percorreu cerca de oito quilómetros para visitar a machamba de Francisco, onde constatou como o acesso à poupança, crédito rotativo, formação em literacia financeira e participação em espaços juvenis contribuíram para fortalecer a sua resiliência económica e social.

Para o Assessor Nacional do GCERF em Moçambique, Manuel Sambo, a monitoria realizada no distrito de Chiúre permitiu observar, de forma concreta, os resultados do projecto e facilitaram a interação directa com beneficiários e representantes do governo, onde histórias como a de Francisco evidenciam o impacto real do projecto na vida das comunidades.

“O mais importante é ver que os jovens estão a transformar oportunidades em soluções sustentáveis para as suas vidas. O envolvimento das comunidades, líderes locais e instituições do governo mostra que existe apropriação das iniciativas, o que reforça a sustentabilidade e a continuidade dos resultados alcançados pelo projecto”, destacou Manuel Sambo.

Por sua vez, a administradora do distrito de Chiúre, Isaura Máquina, reconheceu o contributo do projecto na promoção da inclusão social e prevenção do extremismo violento.

“Como governo, reconhecemos o impacto positivo deste projecto, sobretudo porque vemos jovens cada vez mais conscientes dos riscos associados ao extremismo violento e mais envolvidos em iniciativas construtivas para o seu futuro. Através dos centros juvenis, grupos de poupança e actividades de geração de renda, os jovens encontram oportunidades de participação, auto-emprego e desenvolvimento das suas capacidades”, afirmou.

Através do projecto, só nas comunidades de Chiúre, centenas de jovens em situação de vulnerabilidade estão a aceder a novas oportunidades que reforçam a sua autonomia económica, promovem a literacia financeira e incentivam o auto-emprego, ao mesmo tempo que ampliam a participação comunitária, fortalecem a coesão social e contribuem para a prevenção do extremismo violento

Refira-se que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).