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COMUNIDADE DE MBATI RECUPERA ESPERANÇA APÓS RECEBER KITS DE EMERGÊNCIA NA MANHIÇA

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“Estou feliz por ter recebido o kit de emergência porque já não tinha nada para mim e para os meus filhos. Gostaria de pedir um terreno para construir uma casa, porque vivo numa zona baixa”

Depois de dias marcados pelo medo, fome e incerteza, a comunidade de Mbati, localizada na Localidade de Taninga, Posto Administrativo 3 de Fevereiro, distrito da Manhiça, voltou a sorrir. Quarenta e uma (41) famílias afectadas pelas cheias receberam kits de emergência que estão a ajudar na recuperação das suas vidas depois da destruição provocada pelas fortes chuvas que atingiram a província de Maputo.

Na comunidade, as marcas da tragédia ainda são visíveis. Casas parcialmente destruídas, machambas devastadas e o silêncio deixado pela perda de animais continuam a lembrar os dias difíceis vividos pelas famílias. Ainda assim, entre os moradores, há um sentimento de alívio e gratidão pelo apoio recebido num dos momentos mais críticos das suas vidas.

“Nunca vimos inudanções como esta. Sofremos muito. Muitas coisas foram levadas pelas águas”, contam membros da comunidade, enquanto recordam os dias em que ficaram isolados sem saber quando receberiam ajuda.

As águas inundaram completamente a zona, o que obrigou muitas famílias a refugiarem-se em árvores e nos tectos das casas durante vários dias à espera de socorro. O resgate só foi possível através de helicópteros e barcos mobilizados para retirar as pessoas das áreas inundadas.

Depois do salvamento, as famílias permaneceram mais de 15 dias nos centros de reassentamento instalados na Escola 3 de Fevereiro e no Instituto de Formação de Professores de Chibututuine, onde enfrentaram o desafio de recomeçar sem praticamente nada.

Para Feliciano Machel, morador da comunidade, a dor das perdas ainda é difícil de descrever. Além da destruição causada na sua casa, perdeu grande parte do seu gado, principal fonte de sustento da família.

“Perdi muitas cabeças de gado. Quando regressámos à minha casa, havia um cheiro pesado por causa dos animais mortos. Eram mais de 35 cabeças de gado. Esperamos que o Governo nos apoie a recuperar”, contou.

Apesar das perdas, a chegada dos kits de emergência devolveu alguma esperança às famílias. A distribuição foi realizada pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), com o apoio local do Núcleo Académico para o Desenvolvimento da Comunidade (NADEC) e do Movimento Activista do Distrito da Manhiça, através de fundos mobilizados pela ActionAid International.

Cada família recebeu um kit composto por rede mosquiteira, manta, baldes, esteira, pasta dentífrica, escovas de dente, giletes, produtos de tratamento de água, detergente, sabão, pensos higiénicos e peças de vestuário — bens considerados essenciais para ajudar as famílias a recuperar a dignidade e reorganizar a vida no período pós-cheias.

Felicidade Francisco, diz que o apoio chegou num momento em que já não tinha mais recursos para alimentar seus filhos.

“Estou feliz por ter recebido o kit de emergência porque já não tinha nada para mim e para os meus filhos. Gostaria de pedir um terreno para construir uma casa, porque vivo numa zona baixa”, afirmou.

Também Marta Mabunda, viúva e residente em Mbati, contou que perdeu quase tudo durante as cheias. Mesmo assim, acredita que o apoio recebido representa um novo começo.

“A comida que recebi ajudou muito para recomeçar. As nossas machambas ficaram debaixo da água e toda produção ficou perdida. Quando regressamos não tinhamos nada”, disse.

Em Mbati, a distribuição dos kits foi organizada num modelo comunitário, após o encerramento dos centros de acomodação. A iniciativa permitiu que a própria comunidade participasse na identificação e priorização das famílias mais vulneráveis, com atenção especial às mulheres, crianças e agregados em situação de maior risco.

Ao todo, a resposta humanitária apoiou 300 famílias nos postos administrativos de Xinavane, 3 de Fevereiro e Ilha Josina Machel, no distrito da Manhiça.