“A MINHA VIDA JÁ ESTÁ A MUDAR”: JOVEM MÃE ENCONTRA NA POUPANÇA UMA OPORTUNIDADE PARA FORTALECER A SUA AUTONOMIA
Prevenção do Extremismo Violento
Até há poucos meses, o rendimento diário de Muanadruco Farahane mal chegava para garantir a alimentação da família. Aos 22 anos, mãe de uma criança de três anos e provedora do seu agregado familiar, que inclui também os seus pais idosos, a jovem residente na cidade de Pemba vendia ervilha e batata-doce, mas o lucro, entre 200 e 300 meticais por dia, desaparecia rapidamente nas despesas da casa.
"Vendia, recebia o dinheiro e gastava quase tudo na alimentação da família. Não conseguia poupar nem fazer crescer o negócio", recordou.
A mudança começou quando passou a integrar um grupo de Poupança e Crédito Rotativo (PCR), onde participou em formações sobre literacia financeira, gestão de pequenos negócios e cultura de poupança, no âmbito do Projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE).
Com os conhecimentos adquiridos e um empréstimo de 2.600 meticais concedido pelo grupo, decidiu expandir a actividade.
A banca, que antes comercializava apenas ervilha e batata-doce, passou a oferecer diversos produtos alimentares, entre os quais vegetais, cebola, repolho, limão e outros bens de consumo diário. O negócio cresceu e o rendimento acompanhou essa evolução.
"Aprendi que o lucro não é para gastar todo no mesmo dia. Agora separo uma parte para reinvestir no negócio e outra para poupar. Isso fez toda a diferença."
Actualmente, Muanadruco obtém um lucro diário próximo de 1.000 meticais e consegue poupar cerca de 150 meticais por dia. Pela primeira vez, sente que o rendimento do seu trabalho lhe permite olhar para além das necessidades imediatas.
"Antes comprava apenas dez quilos de arroz por mês. Hoje já consigo comprar um saco. Também consigo comprar roupa para a minha filha, levá-la ao hospital quando precisa e ainda guardar algum dinheiro. A minha vida já está a mudar."
Mais do que aumentar as vendas, a formação ajudou-a a desenvolver uma nova forma de gerir os recursos e de planear o futuro. Muanadruco sonha agora diversificar o negócio com a venda de capulanas, calçado e outros produtos que identificou como oportunidades de mercado graças aos conhecimentos adquiridos.
"Hoje consigo perceber onde vale a pena investir. Quero continuar a crescer para garantir um futuro melhor a minha filha".
A experiência de Muanadruco demonstra que, quando mulheres em situação de vulnerabilidade têm acesso a conhecimentos, mecanismos comunitários de poupança e crédito rotativo, aumentam a capacidade de gerar rendimento, fortalecer a autonomia económica e criar melhores perspectivas para as suas famílias. Em contextos marcados por fragilidades sociais e económicas, este reforço das capacidades contribui para comunidades mais resilientes e menos vulneráveis aos factores que podem favorecer processos de radicalização.
A história de Muanadruco resulta das intervenções do Projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação Kuendeleya, em parceria com a ActionAid Moçambique, através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).