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LURDES JUMA ENCONTRA NA POUPANÇA O CAMINHO PARA A AUTONOMIA ECONÓMICA

LURDES JUMA ENCONTRA NA POUPANÇA O CAMINHO PARA A AUTONOMIA ECONÓMICA

Prevenção do Extremismo Violento

Aos 23 anos, Lurdes Juma conhece os desafios de muitas mulheres que assumem responsabilidades familiares sem uma fonte de rendimento estável. Residente na comunidade de Meponda, distrito de Lichinga, província do Niassa, Lurdes é mãe solteira e responsável pelo sustento da sua família, incluindo os seus pais idosos. Durante muito tempo, teve vontade de iniciar um pequeno negócio, mas a falta de recursos financeiros dificultava a concretização desse sonho.

A oportunidade surgiu quando Lurdes integrou um grupo de poupança rotativa da sua comunidade, composto por 30 membros, onde participou em formações sobre literacia financeira, gestão de pequenos negócios e uso responsável dos recursos. Com os conhecimentos adquiridos e através do acesso ao fundo do grupo, decidiu solicitar um empréstimo de 1.300 meticais para iniciar a produção e venda de pão.

“Preferi pedir emprestado um valor no grupo de poupança para começar com um pequeno negócio de venda de pão na varanda da minha casa. Nunca pensei que um dia conseguiria realizar o sonho de ajudar a minha filha e os meus pais com o meu próprio esforço”, contou Lurdes.

Com os primeiros rendimentos da actividade, Lurdes reinvestiu parte do valor na compra de mais matéria-prima, o que permitiu melhorar a produção e ampliar a venda do pão na sua comunidade. A formação em gestão financeira ajudou-a a controlar melhor os custos, organizar os lucros e tomar decisões mais conscientes sobre o negócio.

“Quando percebi que os lucros estavam a aumentar, juntei o valor e investi na compra de mais trigo para produzir mais pão. Hoje consigo vender no meu bairro graças aos conhecimentos que adquiri nas formações sobre literacia financeira e gestão de pequenos negócios. Aprendi a gerir melhor os meus lucros, já consigo comprar sabão e roupa para a minha filha e ajudar os meus pais nas despesas de casa. Hoje sinto-me responsável por mim e pela minha família”, afirma.

A experiência de Lurdes mostra como o fortalecimento das capacidades económicas pode criar oportunidades para mulheres assumirem maior autonomia e participação na vida familiar e comunitária. No contexto de comunidades expostas a desafios sociais e económicos, iniciativas de inclusão financeira contribuem para reduzir vulnerabilidades e reforçar a resiliência comunitária, um dos caminhos da prevenção do extremismo violento.

A história de Lurdes resulta das intervenções do Projecto de Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pelo Conselho Cristão de Moçambique – Niassa, em parceria com a ActionAid Moçambique, através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

Para além de Niassa, o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado e Nampula até finais de 2026, pela AAMoz, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).