GRUPOS DE POUPANÇA FORTALECEM AUTONOMIA ECONÓMICA DE JOVENS E MULHERES EM PEMBA
Prevenção do Extremismo Violento
Fortalecer a autonomia económica de jovens e mulheres através da poupança, gestão financeira e desenvolvimento de pequenos negócios foi o objectivo da formação em literacia financeira que capacitou 60 membros de quatro grupos de Poupança e Crédito Rotativo (PCR), na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado.
A iniciativa envolveu participantes dos bairros de Paquitequete, Cariaco, Mahate e Maringanha, dos quais 28 mulheres e 32 homens, que adquiriram conhecimentos sobre planeamento financeiro, uso racional dos recursos, cultura de poupança e gestão de pequenos negócios. Esta corresponde à segunda fase de formação dos grupos PCR estabelecidos pelo projecto, que abrangem um total de 120 membros.
A formação foi realizada pela Associação Kuendeleya, em parceria com a ActionAid Moçambique (AAMoz), no âmbito do Projecto de Prevenção do Extremismo Violento (PVE), financiado pelo Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).
Durante as sessões, os participantes aprenderam técnicas de organização financeira, definição de prioridades, gestão de pequenos negócios e utilização responsável dos recursos disponíveis.
Para Begina Rachide, a formação trouxe novas ferramentas para ultrapassar dificuldades que enfrentava na gestão financeira e no desenvolvimento de pequenos negócios.
“Antes do treinamento tinha dificuldades para poupar. Já tentei alguns negócios, mas não deram certo. Com esta capacitação, sinto-me mais preparada para aplicar as técnicas que aprendi e melhorar a forma como faço a gestão dos meus recursos.”
Custódia Joaquina, residente no bairro de Paquitequete, participou pela primeira vez numa formação deste tipo e considera que os conhecimentos adquiridos vão influenciar a forma como gere o seu dinheiro.
“É a primeira vez que participo numa formação. Aprendi a importância de poupar, da empatia e do uso racional dos recursos. Antes gastava o dinheiro sem muito planeamento, mas com esta formação saio com novas ideias de negócio e mais consciência sobre como utilizar melhor os meus recursos".
A formação contou ainda com a participação de representantes institucionais, incluindo o representante da ADIN e membros do governo. A presença destes actores reforça a importância da coordenação entre diferentes instituições na promoção da resiliência comunitária.
A iniciativa reconhece que a exclusão económica e a falta de oportunidades podem aumentar a vulnerabilidade de jovens e mulheres ao recrutamento por grupos extremistas. Por isso, o projecto aposta no fortalecimento das capacidades económicas e sociais através dos grupos PCR, promovendo maior autonomia, inclusão e resiliência comunitária.
O Projecto de Prevenção do Extremismo Violento está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026 pela ActionAid Moçambique, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação Nunisa, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e Movimento Activista Moçambique (MAM).