MARIZA MUEDA: “HOJE ME CONSIDERO UMA MULHER INDEPENDENTE”
“A maior realização que tive foi a construção desta casa, com os lucros que eu ganhei do negócio que comecei. Hoje eu me considero uma mulher independente e feliz com os ganhos que tive através da construção desta casa que garante tecto para mim e para o meu filho"
Mariza Mueda tem 24 anos, é mãe de um filho e vive em Namapa, distrito de Eráti, província de Nampula. A sua história é feita de avanços, recuos e, sobretudo, persistência. Antes de tudo, havia dependência.
“Eu vivia em casa da minha mãe e não fazia nada”, recordou Mariza
Não havia rendimento próprio, oportunidades, nem um caminho claro para construir um futuro.
“Eu via as outras mulheres a vender e a sustentar as suas casas, e queria muito conseguir fazer o mesmo pelo meu filho”, partilhou.
A mudança começou quando Mariza juntou-se a um grupo de poupança e crédito rotativo. Foi ali que teve acesso a um empréstimo de 4 mil meticais, um valor pequeno, mas que decidiu transformar em oportunidade.
“Quando entrei no grupo de poupança, fiz um empréstimo de 4 mil meticais e fui a Nampula comprar brincos, colares, calcinhas, mascotes e outros artigos para iniciar com o meu negócio”, revelou.
Foi uma decisão arriscada viajar até Nampula, escolher mercadoria sem experiência prévia de negócio, apostar tudo num sector que não conhecia. Mariza fê-lo mesmo assim.
“Tinha medo de não conseguir vender o suficiente para pagar o empréstimo. Mas sabia que se não tentasse, ia continuar na mesma situação”, disse.
O negócio de artigos femininos não cresceu sem esforço, nem sem momentos difíceis pelo caminho.O que se manteve foi a persistência de Mariza em continuar, ajustar e reinvestir.
Com o tempo, os lucros começaram a mudar a vida da família de forma concreta.
“Com os lucros que tive durante esse tempo todo, consegui sustentar o meu filho, ajudar a minha mãe e comprar um terreno. Cada vez que eu conseguia poupar um pouco mais, sentia que estava mais perto de dar ao meu filho uma vida diferente da que eu tive”, partilhou.
Depois de comprar o terreno, Mariza conta que construir a casa foi o passo mais importante de todos.
“A maior realização que tive foi a construção desta casa, com os lucros que eu ganhei do negócio que comecei. Hoje eu me considero uma mulher independente e feliz com os ganhos que tive através da construção desta casa que garante tecto para mim e para o meu filho. Quando olho para esta casa, vejo o resultado de todo o esforço. Ninguém me deu isto, eu construí”, afirmou.
Este impacto insere-se no projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com o financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF). O projecto aposta no fortalecimento dos meios de subsistência como estratégia para promover a paz, a coesão social e a estabilidade nas comunidades, criando alternativas económicas concretas para famílias e jovens em contextos de vulnerabilidade.
O PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, em parceria com a Associação ASSANA, a Fundação NUNISA, o Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), a Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).