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ACÇÕES ANTECIPATÓRIAS REFORÇAM A PREPARAÇÃO COMUNITÁRIA E CONTRIBUEM PARA UMA RESPOSTA MAIS COORDENADA À ÉPOCA CHUVOSA NA ZAMBÉZIA

ACÇÕES ANTECIPATÓRIAS REFORÇAM A PREPARAÇÃO COMUNITÁRIA E CONTRIBUEM PARA UMA RESPOSTA MAIS COORDENADA À ÉPOCA CHUVOSA NA ZAMBÉZIA

RESPOSTA HUMANITÁRIA

"Os resultados da última época chuvosa demonstram que investir na preparação das comunidades antes da emergência faz a diferença. Hoje, as estruturas locais estão mais organizadas, a coordenação entre os diferentes actores melhorou e as respostas tornaram-se mais rápidas e inclusivas". Esta foi uma das principais conclusões da Mesa Redonda de Balanço e Harmonização de Dados da Época Chuvosa e Ciclónica 2025/2026, que reuniu instituições governamentais e parceiros humanitários para avaliar a resposta às cheias e identificar prioridades para o futuro.

Promovido pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em parceria com o Governo Distrital de Lugela, o encontro contou com a participação da ActionAid Moçambique (AAMoz) e do Comité Diaconal Evangélico para o Desenvolvimento Social (CODESA), bem como representantes dos distritos de Lugela e Mocuba, sectores governamentais e organizações humanitárias.

O balanço evidenciou que a preparação desenvolvida antes do início da época chuvosa fortaleceu a capacidade de resposta das comunidades, contribuindo para uma melhor coordenação entre os diferentes intervenientes durante a ocorrência das emergências.

No âmbito da sua resposta humanitária, a ActionAid Moçambique, em coordenação com o INGD e parceiros locais, implementou um programa de formação em acções antecipatórias nos distritos onde desenvolve os seus Programas Locais de Desenvolvimento (PLD), nomeadamente Mocuba, Namarrói, Alto Molócuè e Manhiça, na província de Maputo.

As formações reuniram membros dos Comités Locais de Gestão do Risco de Desastres, activistas comunitários, membros dos Círculos Reflect e representantes dos Serviços Distritais de Planificação e Infra-estruturas (SDPI), promovendo uma abordagem integrada para a redução do risco de desastres.

Durante as sessões, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre os princípios humanitários, mecanismos de coordenação, protecção das populações mais vulneráveis e participaram em exercícios práticos de simulação de resposta a fenómenos naturais, com enfoque na mobilização comunitária, evacuação preventiva, comunicação de risco e encaminhamento de casos de protecção.

A pertinência destas acções tornou-se evidente durante a época chuvosa. Segundo as conclusões apresentadas na mesa-redonda, a preparação prévia permitiu fortalecer os mecanismos locais de coordenação, melhorar o fluxo de informação entre comunidades e autoridades, aumentar a capacidade técnica das equipas envolvidas e promover respostas mais organizadas durante as situações de emergência.

Outro resultado destacado foi a maior integração das componentes de protecção, género e inclusão nas intervenções humanitárias. As discussões reforçaram a necessidade de garantir que mulheres, raparigas, pessoas com deficiência e outros grupos em situação de maior vulnerabilidade sejam considerados desde a fase de preparação até à assistência pós-desastre.

Neste contexto, a ActionAid Moçambique dinamizou sessões sobre a sua Assinatura Humanitária, enfatizando a prevenção da Violência Baseada no Género (VBG) em contextos de emergência e a importância de colocar os direitos humanos no centro das respostas humanitárias.

O encontro permitiu igualmente harmonizar metodologias de recolha de informação entre os diferentes actores. O CODESA facilitou a utilização das Washington Group Questions, instrumento internacional para identificação de pessoas com deficiência e necessidades específicas, enquanto equipas técnicas do INGD orientaram exercícios práticos de utilização da plataforma KoboCollect, reforçando a qualidade dos dados produzidos durante as emergências.

As instituições participantes concluíram que a conjugação entre preparação comunitária, capacitação técnica, recolha de dados fiáveis e coordenação interinstitucional constitui um dos principais factores para reduzir o impacto dos desastres e proteger vidas.

Com este balanço, a ActionAid Moçambique, o INGD e o CODESA reafirmam o compromisso de continuar a investir em acções antecipatórias, na preparação das comunidades e no fortalecimento da resiliência local, contribuindo para respostas humanitárias cada vez mais rápidas, coordenadas, inclusivas e centradas na dignidade das pessoas afectadas.