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120 JOVENS REFORÇAM CAPACIDADES FINANCEIRAS PARA REDUZIR VULNERABILIDADES À RADICALIZAÇÃO, EM CABO DELGADO

120 JOVENS REFORÇAM CAPACIDADES FINANCEIRAS PARA REDUZIR VULNERABILIDADES À RADICALIZAÇÃO, EM CABO DELGADO

Prevenção do Extremismo Violento

“Agora consigo poupar, fazer negócio e ter lucro para comprar uniforme e garantir alimentação para os meus três filhos. Não preciso de deixar-me aliciar por homens para conseguir sustentar a minha família”. O testemunho de Carlota Alberto, jovem do bairro de Paquitequete, mostra como o acesso a conhecimentos sobre poupança e gestão de pequenos negócios pode criar alternativas para jovens em comunidades expostas a desafios económicos e sociais.

Durante quatro dias, 120 jovens, 60 de Paquitequete e 60 de Maringanha, participaram numa formação sobre literacia financeira e gestão de pequenos negócios, com conteúdos sobre poupança, crédito, investimento, controlo de despesas, gestão de lucros e planeamento financeiro.

Para Carlota, os conhecimentos adquiridos já fazem diferença na sua vida. 

“A minha vida está a mudar. Já consigo poupar e o meu negócio permite-me ter lucro para garantir algumas necessidades dos meus filhos. Também quero mostrar a outras pessoas, sobretudo às que vêm de distritos afectados pelo terrorismo, que é possível recomeçar a vida através do negócio.”

Albertina Tomas, de Maringanha, fala da importância da formação para a gestão do seu negócio e das despesas familiares. “Aprendi a gerir o negócio e os lucros e a fazer com que o negócio tenha um fim lucrativo. Se conseguir poupar, isso vai ajudar-me a gerir melhor o dinheiro, pagar a escola dos meus filhos e garantir a alimentação da família”.

Além da gestão dos negócios, a formação abordou a importância da poupança como forma de preparar o futuro e responder às necessidades familiares. Para Albano Marques, a participação no projecto trouxe também uma nova ocupação.

 “A minha vida já está a mudar. Já estou inserido num grupo de poupança e tenho uma ocupação positiva”.

A formação enquadra-se na abordagem do Projecto de Prevenção do Extremismo Violento (PVE), que procura reduzir factores de vulnerabilidade que podem deixar jovens mais expostos ao aliciamento e ao recrutamento por grupos extremistas. O fortalecimento da autonomia económica, por si só, não resolve as causas do extremismo violento, mas pode criar alternativas de rendimento, reforçar a confiança dos jovens e ampliar as suas possibilidades de escolha.

“Aprendi a capacidade de gerir o dinheiro de forma económica”, contou Issufo Assane, outro participante da formação.

Para além dos conhecimentos financeiros, a iniciativa procurou incentivar os jovens a identificar oportunidades de negócio e a transformar pequenos rendimentos em meios de sustento mais estáveis. No caso de Carlota, a experiência já lhe permite pensar para além das necessidades imediatas:

 “Quero mostrar a muitas pessoas que, com um negócio, podemos recomeçar a vida”.

A iniciativa foi realizada pelo Conselho Cristão de Moçambique (CCM), em parceria com a Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), no âmbito do PVE, financiado pelo Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN). A intervenção decorre nos bairros de Paquitequete e Maringanha, na cidade de Pemba, com foco no fortalecimento das capacidades dos jovens e na redução das vulnerabilidades associadas à radicalização e ao recrutamento para o extremismo violento.

Refira-se que o Projecto de Prevenção do Extremismo Violento está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, em parceria com a Associação ASSANA, a Fundação NUNISA, o Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), a Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).