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ALY CAÍSSE: CONSTRUIU A PRÓPRIA CASA E AGORA SONHA EM CONSTRUIR PONTES

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Aly Caísse tem 35 anos, vive na comunidade de Naossa, distrito de Lichinga, província de Niassa, encontrou na construção civil uma oportunidade para transformar a sua vida e construir um futuro com esperança.

Depois de anos à procura de uma oportunidade de trabalho, hoje o jovem pedreiro tem um rendimento e um novo sonho: construir grandes infraestruturas e inspirar outros jovens da sua comunidade.

Antes de conseguir esta oportunidade, Aly aprendeu o ofício com um pedreiro da sua comunidade. Naquela época, muitos jovens enfrentavam dificuldades devido à falta de orientação, oportunidades de emprego e espaços de aprendizagem.

Com os conhecimentos adquiridos, ainda não profissionais, o jovem conseguiu construir a sua própria casa e várias outras para os seus clientes da comunidade. 

No entanto, foi através da metodologia REFLECT, uma abordagem participativa de aprendizagem e organização comunitária que combina alfabetização, diálogo, análise crítica da realidade e acção colectiva, promovida no âmbito do Projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), que Aly e outros jovens participaram em sessões comunitárias onde desenvolveram conhecimentos sobre coesão social, responsabilidade, convivência, apoio às famílias e importância do trabalho.

“No REFLECT aprendemos a cuidar das nossas famílias e a sermos trabalhadores. O REFLECT ajudou-nos a escolher os melhores caminhos. Devo dizer que está a ter um impacto positivo na vida de muitos jovens”, contou.

Para Aly, estas aprendizagens foram importantes para fortalecer a sua capacidade de tomar decisões positivas e procurar alternativas para melhorar a sua vida. 

A Feira de Emprego, que teve lugar no dia 08 de Novembro de 2025, foi a oportunidade que vários jovens, incluindo Aly Caísse tiveram, para integrar o mercado de emprego formal. A feira aproximou jovens de empresas e abriu portas para novas oportunidades profissionais. A iniciativa contou com o envolvimento do sector privado, através da Confederação das Associações Económicas (CTA).

“A feira que realizaram criou-nos uma vontade de estar convosco e empregar alguns jovens. Neste momento empregamos 17 jovens e ainda vamos empregar mais. Os jovens estão inseridos nas áreas da construção civil, hotelaria e agricultura”, disse Manuel Quimbine, Vice-Presidente da CTA em Niassa.

Graças a estas oportunidades, Aly conseguiu integrar-se no mercado de trabalho e continuar a desenvolver as suas competências na construção civil. O emprego, segundo ele, representa dignidade, estabilidade e a possibilidade de apoiar a sua família.

Desde que foi integrado no mercado de trabalho, Aly tem consolidado a sua experiência profissional, onde participa na construção de diferentes infra-estruturas e aperfeiçoa as suas competências na área da construção civil. Com um rendimento estável, consegue contribuir para o sustento da família e continua a investir no seu crescimento profissional. 

O seu próximo objectivo é especializar-se em obras de maior dimensão, para um dia participar na construção de edifícios, estradas e pontes, por forma a tornar-se uma referência para outros jovens da sua comunidade que procuram, no trabalho digno, uma oportunidade para crescer.

“No futuro quero ser um pedreiro de alto rendimento para construir armazéns, prédios e pontes”, frisou.

Por seu turno, o presidente da Associação dos Empreiteiros de Niassa, Afonso Silva, sublinhou a importância de criar caminhos positivos para os jovens, especialmente em comunidades onde existem desafios relacionados com a violência e a exclusão económica.

“Sabemos muito bem que jovens estão a ser recrutados para envolver-se em crimes, tanto em Cabo Delgado como em outros lugares. Nós lutamos para que isso não aconteça. O nosso esforço é mostrar o caminho certo para a geração vindoura. Estamos a lutar para mostrar o caminho, o resto os jovens completam sozinhos”, defendeu Afonso Silva, Presidente da Associação dos Empreiteiros de Niassa.

Esta iniciativa faz parte do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

Importa salientar que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela AAMoz, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).