Daniel Casemiro: “Decidi investir no cultivo de repolho. Foi uma mudança que trouxe melhores resultados”
Ainda antes do nascer do sol, Daniel Casemiro já está de pé. Às cinco horas da manhã começa o dia com as tarefas de casa e, pouco depois, segue para a sua machamba de um hectare na comunidade de Mahipa, distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado. É ali que cultiva repolho, uma actividade que hoje garante o sustento da família e lhe permite sonhar com um futuro mais estável.
Todos os dias, Daniel percorre cerca de uma hora a pé entre a machamba e o mercado, e leva consigo entre 2 a 3 cestos de repolho para venda.
"O caminho é longo, mas quando vejo os produtos a chegar ao mercado sinto que o esforço vale a pena. É deste trabalho que sustento a minha família”, disse.
Aos 26 anos, Daniel conhece bem os desafios de quem procura construir uma vida digna numa comunidade afectada por dificuldades económicas e pela insegurança. A sua ligação ao empreendedorismo começou há vários anos, quando produzia e vendia bananas.
"Comecei o meu pequeno negócio há vários anos. Vendia bananas. As vendas não eram muito boas, mas davam para sobreviver”, frsou.
Apesar do empenho, os lucros eram reduzidos. Antes de integrar um grupo comunitário de poupança e crédito rotativo, conseguia ganhar cerca de mil meticais por semana, rendimento insuficiente para expandir o negócio ou concretizar outros projectos.
Foi através do convite de um amigo que passou a fazer parte do grupo de poupança da sua comunidade. Nesse espaço encontrou um ambiente de aprendizagem, solidariedade e partilha de experiências.
"No grupo aprendi a gerir o meu negócio, a lidar melhor com as pessoas, a poupar e a viver em paz com a comunidade”, partilhou.
Depois de criar o seu histórico de poupança, Daniel solicitou um empréstimo de 2.000 meticais, que utilizou para comprar sementes de repolho. A decisão marcou uma mudança importante na sua actividade económica.
"Decidi investir no cultivo de repolho. Foi uma mudança que trouxe melhores resultados para o meu negócio”, contou.
Actualmente, obtém lucros entre dois e três mil meticais por semana, mais do dobro do que conseguia anteriormente. O crescimento do negócio permitiu-lhe contratar um trabalhador da própria comunidade, o que contribuiu para gerar oportunidades de rendimento para outras pessoas.
"O negócio cresceu e hoje já consigo ter uma pessoa a trabalhar comigo. Isso deixa-me muito satisfeito”, revelou.
Com os rendimentos obtidos, Daniel começou a investir no futuro da sua família. Já adquiriu um terreno na vila e comprou chapas de zinco e barrotes para construir a sua casa.
"Antes não sabia gerir o dinheiro e passava por muitas dificuldades. Agora consigo poupar 150 meticais por semana e já comprei um terreno e material para construir”, revelou
O seu maior sonho é concluir a casa e garantir que tenha energia eléctrica.
"No futuro quero ter uma casa construída e electrificada para oferecer melhores condições à minha família”, confessou.
Para Daniel, o trabalho também representa uma forma de construir comunidades mais seguras e coesas.
“Quando os jovens têm uma ocupação e conseguem gerar rendimento, têm razões para acreditar no futuro. Eu aconselho todos os jovens a não se aliarem aos grupos armados. Trabalhar é o melhor caminho”, aconselhou.
Esta história integra as actividades do Projecto de Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF). O projecto é implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).