JAMUSSE ALY: “INVESTIR NA TERRA É INVESTIR NO FUTURO DA MINHA FAMÍLIA”
“Usei o empréstimo para comprar adubo e melhorar a fertilidade da terra. Sabia que, se investisse na machamba, teria uma colheita melhor’
Hoje vamos conhecer a história de Jamusse Aly, residente na comunidade de M’betazigone, posto administrativo de Meponda, província de Niassa. Com 23 anos e quatro filhos, encontrou na agricultura uma forma de garantir o sustento da família e oportunidade para construir um futuro mais próspero.
Desde muito cedo, a agricultura fez parte da sua vida.
“Sempre vivi da agricultura. Foi assim que consegui sustentar a minha família e aprender que a terra pode dar bons resultados quando cuidamos dela”, assegurou.
Na sua machamba produz milho, feijão, banana, ervilhas e diversas hortícolas. Parte da produção é comercializada no mercado local, enquanto outra é vendida directamente na própria machamba, onde compradores se deslocam para adquirir produtos frescos.
Com vontade de aumentar a produção e melhorar os rendimentos, Jamusse decidiu integrar o grupo de poupança e crédito rotativo (PCR) da sua comunidade. Todas as semanas poupa 150 meticais e participa nas actividades do grupo, onde também fortaleceu conhecimentos sobre gestão de negócios e planeamento.
“No grupo aprendi a importância de poupar e de pensar no futuro. Hoje já consigo organizar melhor o dinheiro que ganho”, disse.
Depois de criar o seu histórico de poupança, solicitou um empréstimo de 3.000 meticais para investir na produção agrícola.
“Usei o empréstimo para comprar adubo e melhorar a fertilidade da terra. Sabia que, se investisse na machamba, teria uma colheita melhor’, explicou.
O investimento permitiu aumentar a produtividade e gerar mais rendimento para a família. Embora ainda esteja a reembolsar o empréstimo, Jamusse já consegue observar mudanças concretas na sua vida.
“Já comecei a pagar o empréstimo e continuo a trabalhar para aumentar a produção. Quero continuar a crescer”, frisou.
Com os lucros da actividade agrícola, adquiriu uma máquina de cortar cabelo e um televisor plasma, bens que representam conquistas importantes para a família e o resultado do seu trabalho diário.
Na machamba, Jamusse trabalha lado a lado com a esposa e conta ainda com o apoio de dois trabalhadores sazonais durante as épocas de maior produção.
“Trabalhamos em família e, quando a produção aumenta, também conseguimos dar trabalho a outras pessoas da comunidade”, contou.
Para Jamusse, a agricultura representa uma oportunidade para criar estabilidade, investir no futuro dos filhos e contribuir para o desenvolvimento da comunidade.
“O meu sonho é tornar-me um grande produtor agrícola. Quero aumentar a minha produção e continuar a melhorar as condições de vida da minha família”, referiu.
Esta história integra as actividades do Projecto “Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF). O projecto é implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM), promovendo oportunidades económicas, coesão social e participação comunitária para a construção de comunidades mais resilientes e pacíficas.