Skip to main content

MARLENE OMAR: “GOSTARIA DE AUMENTAR A PRODUÇÃO DE PÃO E COMPRAR CHAPAS PARA COBRIR O ESPAÇO

capa

Durante muitos anos, Marlene Omar, residente na comunidade de Malica, em Niassa, ajudou os pais na machamba da família, onde cultivavam milho, feijão, batata e uma pequena horta com tomate, couve, alface, cebola e cenoura. Era dessa produção que vinha grande parte do sustento da casa.

“A nossa vida era a machamba. Capinávamos, semeávamos e vendíamos parte da produção. Era assim que conseguíamos algum dinheiro para responder às necessidades da família”, contou.

Apesar de contribuir diariamente para o trabalho agrícola, Marlene queria encontrar novas formas de aumentar o rendimento familiar sem abandonar a agricultura, que continua a ser uma parte importante da sua vida.

Foi então que decidiu integrar o Grupo de Poupança e Crédito Rotativo (PCR) da sua comunidade onde aprendeu a gerir o seu próprio dinheiro.

“No grupo aprendi a importância de poupar. Antes gastava o dinheiro sem pensar muito, mas hoje consigo planificar melhor o que quero fazer”, disse.

Ao mesmo tempo, passou a frequentar as sessões do REFLECT, onde aprendeu a ler e a escrever.

“Aprender a ler e a escrever foi uma grande conquista para mim. Hoje consigo compreender melhor as coisas e sinto-me mais confiante”, referiu.

As novas aprendizagens deram-lhe coragem para recuperar um sonho que existia há muito tempo dentro da sua própria casa. A família possuía uma pequena padaria que estava inoperacional por falta de recursos para funcionar.

“O meu pai ensinou-me a fazer pão quando eu ainda era mais nova. Sempre gostei de aprender com ele”, explicou.

Depois de criar o seu histórico de poupança, Marlene solicitou um empréstimo ao grupo para comprar farinha de trigo, fermento, açúcar, óleo e lenha, os ingredientes essenciais para voltar a produzir pão.

“Usei o dinheiro para comprar os produtos que faltavam. Assim conseguimos voltar a pôr a padaria a funcionar”, revelou.

Hoje prepara pão que vende na comunidade e no mercado local. Muitos clientes deslocam-se até à sua casa para comprar directamente, enquanto outros encontram os seus produtos no mercado.

“Vendo cada pão a cinco meticais. Algumas pessoas vêm comprar aqui em casa e outras encontram-me no mercado”, frisou.

Além de poupar 150 meticais por semana no grupo, Marlene consegue obter cerca de 1.600 meticais de rendimento em duas semanas, valor que ajuda nas despesas da família e permite reinvestir na produção.

“O dinheiro ajuda muito em casa e também me permite continuar a investir no negócio”.

Para Marlene, recuperar a padaria representou a valorização de um conhecimento transmitido entre gerações e a possibilidade de transformar esse saber num meio de fortalecer a autonomia da sua família.

O próximo sonho já está bem definido.

“Quero aumentar a produção de pão. Na época chuvosa temos muitas dificuldades porque a padaria não está bem protegida. Gostaria de comprar chapas para cobrir o espaço e conseguir produzir durante todo o ano”, detalhou.

Esta história integra as actividades do Projecto “Prevenção do Extremismo Violento (PVE)”, implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).