NATALINA MACUELO: “NO FUTURO GOSTARIA DE AUMENTAR O NEGÓCIO E FAZER ENFERMAGEM”
“Estudar continua a ser muito importante para mim, mas percebi que também precisava de fazer alguma coisa para ajudar a minha família”
Enquanto muitos colegas terminam as aulas e regressam a casa para estudar, Natalina Mário Macuelo segue para o mercado. Entre sacos de cebola e feijão, organiza cuidadosamente os produtos que vende para garantir mais um dia de rendimento.
Natalina tem 24 anos, vive na comunidade de Alua, distrito de Eráti, província de Nampula, e frequenta a 12.ª classe na Escola Secundária de Alua. Conciliar os estudos com um pequeno negócio tornou-se parte da sua rotina e da forma como decidiu construir o futuro.
“Estudar continua a ser muito importante para mim, mas percebi que também precisava de fazer alguma coisa para ajudar a minha família”, disse.
Em casa, a realidade exige responsabilidade. A mãe não tem uma actividade geradora de rendimento e grande parte das despesas familiares depende do trabalho de Natalina.
“Sempre que consigo vender alguma coisa, ajudo nas despesas da casa. Isso dá-me força para continuar, porque sei que a minha família também depende de mim”, contou.
O seu primeiro negócio começou com a venda de bolinhos. Era uma forma simples de conseguir algum dinheiro enquanto continuava a estudar. Com o tempo, percebeu que poderia crescer e diversificar a actividade.
Foi através do Grupo de Poupança e Crédito Rotativo (PCR) de Alua, que encontrou essa oportunidade. Para além de aprender a poupar, começou a olhar para o pequeno comércio de uma forma diferente.
“No grupo aprendi que poupar é importante, mas também aprendi que um negócio precisa de ser pensado para crescer. Hoje consigo planificar melhor aquilo que quero fazer”, frisou.
Depois de criar o seu histórico de poupança, solicitou um empréstimo de 3.000 meticais. Com esse valor deixou de vender bolinhos e passou a comercializar cebola e feijão-manteiga, produtos com maior procura na comunidade.
“Foi uma decisão importante. Hoje vendo produtos que têm mais saída e consigo melhorar o meu rendimento”, relatou.
Actualmente, obtém um lucro médio de cerca de 2.000 meticais por mês, dinheiro que utiliza para apoiar a família e reinvestir no negócio.
Mas Natalina não pretende ficar por aqui.
“No futuro quero vender também batata, ovos, coco e alho. Quero aumentar o meu negócio e continuar a crescer”.
Ao mesmo tempo, alimenta outro sonho que nunca deixou de acompanhar os seus estudos.
“Gostaria de fazer o curso de Enfermagem. Quero cuidar das pessoas e servir a minha comunidade”
Para Natalina, participar no grupo de poupança significou compreender que a juventude pode desempenhar um papel activo na construção de comunidades mais seguras e solidárias.
“Aprendi que os jovens precisam de criar oportunidades para si próprios. Quando temos um trabalho ou um negócio, conseguimos pensar no futuro e responder às nossas necessidades”.
As sessões de formação sobre convivência pacífica e prevenção do extremismo violento também marcaram o seu percurso.
“Não é bom estragar a nossa comunidade com violência. Os jovens não devem juntar-se aos grupos armados nem praticar o terrorismo. Precisamos de estudar, trabalhar e ajudar a desenvolver as nossas comunidades”.
Esta história integra as actividades do Projecto “Prevenção do Extremismo Violento (PVE)”, implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF). O projecto promove a autonomia económica, a liderança juvenil e a coesão social como pilares para a construção de comunidades onde as pessoas possam viver com dignidade, segurança e esperança.