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CELINA CONSTANTINO: “APRENDI A NÃO ESPERAR POR NINGUÉM PARA SUSTENTAR OS MEUS FILHOS”

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“Nos início, não sabia por onde começar. Eram cinco bocas para alimentar e eu sozinha”

Há cinco anos, o pai dos seus filhos saiu de casa. Celina Constantino, residente no bairro Muconani, localidade de Alua-Sede, distrito de Eráti, em Nampula, hoje com 35 anos, ficou sozinha com cinco crianças para criar.

“Nos início, não sabia por onde começar. Eram cinco bocas para alimentar e eu sozinha”, recordou.

Da noite para o dia, precisava de garantir comida, material escolar e as despesas do dia-a-dia de uma família inteira, sem outro rendimento a contar.

Em vez de se deixar definir pela dificuldade, procurou uma saída colectiva. Juntou-se a um grupo de poupança e crédito rotativo da sua comunidade.

Foi ali, ao lado de outras mulheres que geriam em conjunto o seu próprio fundo, que teve acesso a um empréstimo de 5.800 meticais.

“No grupo, percebi que não era só eu a passar por dificuldades. Isso deu-me força para tentar. Escolhi os bolinhos porque sabia que ia vender todos os dias. Não podia arriscar num negócio que demorasse a dar retorno, os meus filhos precisavam de comer naquela mesma semana”, explicou.

O negócio cresceu com o trabalho diário. Ao longo do tempo, ampliou a actividade e passou também a produzir maheu, que hoje vende diariamente no mercado local, ao lado dos bolinhos.

Duas fontes de rendimento, geridas pela mesma pessoa, deram à família uma estabilidade que antes não existia.

“Hoje já não é só um negócio para sobreviver ao dia. É algo que eu construí e que sei gerir sozinha, sem depender de mais ninguém”, contou.

Actualmente, os lucros permitem a Celina cobrir as necessidades básicas dos cinco filhos, material escolar no início do ano, alimentação garantida em casa, e pequenas despesas que antes eram motivo de aflição constante.

“Antes eu vivia com medo do dia seguinte. Hoje sei que, aconteça o que acontecer, eu consigo resolver. Aprendi a não esperar por ninguém para sustentar os meus filhos”, partilhou.

Celina tornou-se uma mulher que sustenta uma família inteira com o seu próprio trabalho.

“Hoje consigo pagar os materiais escolares dos meus filhos e garantir a sua alimentação sem dificuldades. Desejo que a ActionAid continue a apoiar outras pessoas que enfrentam os mesmos desafios que eu enfrentei. Kochukuro (muito obrigada)”, agradeceu.

Esta iniciativa faz parte do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

Importa salientar que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela AAMoz, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).