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DA DIFICULDADE À COLHEITA DE ESPERANÇA: A HISTÓRIA DE ISSA SALIMO EM MATEMANGUE

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“Com os lucros, já consegui colocar o meu filho na escola, comprar cadernos e outras coisas importantes”

Issa Salimo, de 22 anos, residente na comunidade de Matemangue, distrito de Lichinga, província de Niassa, começa a colher os frutos de uma decisão que mudou o rumo da sua vida. Jovem agricultor, actualmente dedica-se à produção de hortícolas, com destaque para alface.

“Antes de entrar no grupo de poupança, a vida era muito difícil porque não tinha uma fonte de rendimento”, recordou Issa, enquanto olhava para a sua machamba verdejante. “Mas quando entrei, comecei a ver mudanças”.

Foi através do grupo de poupança e crédito rotativo da sua comunidade que Issa encontrou uma oportunidade concreta de recomeçar. Com um empréstimo inicial de 3 mil meticais, deu os primeiros passos na agricultura.

“Consegui capinar o terreno, semear alface e agora já comecei a vender”, explicou, com orgulho.

A produção ainda é modesta, mas o impacto já é importante dentro da sua casa.

“Com os lucros, já consegui colocar o meu filho na escola, comprar cadernos e outras coisas importantes”, contou.

Além do investimento, Issa mantém o compromisso com a poupança.

“Por mês poupo 250 meticais. Todas as sextas-feiras, às 15 horas, temos reuniões. Não é só para poupar, também fazemos reflexões e palestras”.

Esses encontros tornaram-se espaços de aprendizagem e mudança.

“Aprendemos boas práticas de convivência e a importância de não nos radicalizarmos”, acrescentou.

Para Issa, o impacto vai muito além do rendimento. “Agradecemos muito por este projecto, porque aqui muitas pessoas, especialmente mulheres, não sabiam escrever. Hoje, muitos jovens já sabem escrever e já têm algo para fazer”.


Esta mudança surge com apoio do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), uma iniciativa implementada pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

O projecto aposta no fortalecimento dos meios de subsistência como estratégia para promover a paz, a coesão social e a estabilidade nas comunidades, através da criação de alternativas concretas para famílias e jovens.

Importa referir que, o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).