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DIÁLOGO COMUNITÁRIO REFORÇA COESÃO SOCIAL E PREVENÇÃO DO EXTREMISMO VIOLENTO NA COMUNIDADE DE NAOSSA

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Teve lugar na última quinta-feira (16), na comunidade de Naossa, distrito de Lichinga, província de Niassa, um diálogo comunitário sobre o papel das lideranças locais e religiosas na promoção da paz, coesão social e prevenção do extremismo violento. 

A actividade decorreu no âmbito da visita de monitoria às acções do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com o financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

O encontro reuniu líderes comunitários, religiosos, jovens e o representante do governo local, num espaço de reflexão conjunta sobre os desafios locais e as estratégias para fortalecer a convivência pacífica. O diálogo centrou-se na importância da coesão social e no papel activo das lideranças na construção de comunidades resilientes face às ameaças de radicalização.

Para a rainha da comunidade de Naossa, Nelita Barra, a paz começa no seio familiar e deve ser cultivada diariamente. 

“Temos o dever de promover a paz. Tudo começa dentro das nossas casas, com as nossas famílias. Devemos apostar no diálogo e no respeito nas nossas casas”, afirmou.

Na mesma linha, Adamo Dala, líder da comunidade muçulmana, reforçou a necessidade de vigilância colectiva e responsabilidade social. Já o pastor Eugénio Maulana, representante do Conselho Cristão de Moçambique – delegação de Niassa, sublinhou que “as religiões ensinam o amor verdadeiro e a paz começa a partir das nossas casas e deve ser transmitida de geração em geração”.

O chefe do posto administrativo de Lussanhando, Ernesto Mpaquiua, manifestou a sua satisfação pela realização do diálogo, considerando-o uma iniciativa oportuna para a comunidade. 

“Sentimo-nos honrados por este encontro. A paz inicia na família, e devemos levar esta mensagem a todos, incluindo os cerca de quatro mil habitantes que não estão presentes aqui hoje”, disse.

Por sua vez, a chefe do escritório da ADIN em Niassa, Lizete Omar, explicou que projecto tem impactado as comunidades onde realiza actividades. 

“A ADIN coordena projectos ao nível da província de Niassa. Este projecto, implementado pelo Governo, está a trazer mensagens de coesão social e a contribuir para que a paz prevaleça nas nossas comunidades”, explicou, acrescentando que as acções decorrem também nos distritos de Mecula, Marrupa e Lichinga.

Por seu turno, o representante do GCERF, Manuel Sambo, referiu que a visita de monitoria permitiu constatar a relevância das actividades no terreno. 

“Estamos aqui com os parceiros a acompanhar a implementação do projecto PVE. Hoje vimos um diálogo entre líderes comunitários, religiosos e jovens que discutiram a paz e a coesão social. É interessante observar como resolvem conflitos, como previnem a violência e como transmitem mensagens. Isso demonstra um forte espírito de colaboração entre a comunidade e as autoridades, o que é essencial para a sustentabilidade”, afirmou.

Durante o encontro, os participantes trabalharam em grupos para produzir mensagens de sensibilização sobre a prevenção do extremismo violento, que serão posteriormente difundidas nas rádios comunitárias. A iniciativa visa reforçar a consciencialização e desencorajar o envolvimento de jovens em grupos extremistas e promoção de valores de paz, tolerância e convivência harmoniosa.

O projecto surge no seguimento da parceria estabelecida entre o Governo de Moçambique e o GCERF, formalizada através de um Memorando de Entendimento assinado em Março de 2023. A ADIN, em coordenação com o Mecanismo Nacional de Apoio, é a entidade responsável pela implementação.

Em Moçambique, o projecto conta com a participação da Fundação MASC, da Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) e da Associação de Apoio e Assistência Jurídica às Comunidades (AAAJC), com o objectivo de promover a coesão social e criar oportunidades económicas para jovens entre os 15 e os 35 anos e reduzir o risco de recrutamento e radicalização.

As acções estão a ser implementadas nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, no período de 2024 a 2026, reforçando o compromisso das instituições envolvidas na construção de comunidades mais seguras, resilientes e unidas.