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DO GRUPO DE POUPANÇA AO CLUBE DE CINEMA: A HISTÓRIA DE SAÍDE SALIMO EM MATEMANGUE

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“Este é o meu terceiro ano no grupo de poupança e muitas coisas estão a mudar na minha vida. Aqui em casa não tínhamos dinheiro, então percebi que precisava fazer alguma coisa”, contou Saíde.

As noites da comunidade de Matemangue, no distrito de Lichinga, costumavam ser silenciosas e sem muitas opções de lazer, mas hoje, há um novo ponto de encontro que reúne jovens, adultos e amantes do futebol. É ali, num espaço simples, mas cheio de vida, que nasce uma história de mudança protagonizada por Saíde Salimo, de 30 anos.

Com cadeiras alinhadas, uma TV e a expectativa no ar, o chamado “clube de cinema” tornou-se um verdadeiro centro comunitário. Na prática, é o local onde se assistem jogos da Liga dos Campeões e das principais ligas europeias — e onde cada espectador contribui com 20 meticais para viver a emoção do futebol.

“Este é o meu terceiro ano no grupo de poupança e muitas coisas estão a mudar na minha vida. Aqui em casa não tínhamos dinheiro, então percebi que precisava fazer alguma coisa”, contou Saíde.

Foi no grupo de Poupança e Crédito Rotativo (PCR) que encontrou a oportunidade que mudaria o seu rumo. Com disciplina semanal e espírito de entreajuda, os membros poupam ao longo do ano e, em Dezembro, dividem o valor acumulado.

“Pedimos um empréstimo de 6 mil meticais para construir este clube de cinema. Comprei uma televisão plasma, DSTV e GOtv, e também aumentei um pouco com o meu próprio dinheiro”, explicou.

Hoje, o espaço tem capacidade para cerca de 65 pessoas e, em dias de grandes jogos, enche-se de entusiasmo e energia. O clube tornou-se uma fonte de rendimento, entretenimento e um símbolo de iniciativa local.

Para além da exibição de jogos, o espaço ganhou uma nova dimensão social. A sala é também utilizada para realizar sessões de sensibilização com jovens sobre a paz, coesão social e boa convivência na comunidade.
“Com o dinheiro que ganho, consegui investir na minha machamba, comprei cadeiras, cama e outras coisas para casa. A minha vida está a melhorar aos poucos”, afirmou.

Para muitos jovens da comunidade, Saíde representa uma alternativa concreta num contexto onde as oportunidades nem sempre são claras.

“Aconselho outros jovens a entrarem nos grupos de poupança. Não vale a pena ir para Cabo Delgado abraçar o terrorismo. Aqui podemos trabalhar e construir o nosso futuro”, alertou.

A história de Saíde Salimo é resultado directo do impacto do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), uma iniciativa implementada pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com o financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

Importa referir que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).