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DO PEIXE SECO NASCE UM FUTURO: A HISTÓRIA DE ADAMO ISSUFO EM MATEMANGUE

CAPA

“Compro o peixe em Sanjala e vendo aqui. Com este negócio consigo fazer algum dinheiro. Ajudo os meus pais em casa e também compro roupa e material escolar para mim”

Adamo Issufo tem 20 anos e vive na comunidade de Matemangue, no distrito de Lichinga, província de Niassa.  Está a escrever a sua própria história de mudança — uma história simples, mas cheia de significado.

Membro de um grupo de poupança e crédito rotativo da sua comunidade, Adamo encontrou ali uma oportunidade que nunca tinha tido antes - acesso a algum capital para começar algo seu.

“Faço parte do grupo de poupança daqui da comunidade. Somos 30 jovens. Todas as sextas-feiras juntámo-nos para poupar”, contou.

Foi nesse grupo que decidiu arriscar. Pediu um empréstimo, apresentou a sua ideia de negócio e recebeu o apoio dos outros membros.

“No grupo solicitei um empréstimo de 2.500 meticais para começar a vender peixe seco. O projecto foi aprovado. Foi um grande desafio porque nunca tinha feito nenhum negócio na minha vida”, explicou.

Desde então, a sua rotina mudou. Adamo desloca-se ao mercado de Sanjala, onde compra peixe seco — conhecido localmente como bonha — e também o peixe ossipa, bastante procurado na região. Depois regressa à comunidade para vender.

“Compro o peixe em Sanjala e vendo aqui. Com este negócio consigo fazer algum dinheiro. Ajudo os meus pais em casa e também compro roupa e material escolar para mim”, disse.

Pode parecer pouco, mas para Adamo é um grande passo. Pela primeira vez, sente que tem controlo sobre o seu futuro.

“Um dia quero crescer mais, vender em mercados maiores”, acrescentou, com esperança.

Tal como Adamo, muitos outros jovens no distrito de Lichinga estão a beneficiar dos grupos de poupança, onde criam pequenos negócios e encontram alternativas para melhorar as suas vidas.

O projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), é implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com o financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

A iniciativa aposta no fortalecimento dos meios de subsistência como forma de promover a paz, a coesão social e a estabilidade nas comunidades, sobretudo numa região que enfrenta vários desafios.

Refira-se que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).