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Feira em Chiúre Expõe Negócios Locais e Mostra Como Pequenos Empréstimos Promovem Paz e Coesão Social

Feira em Chiúre Expõe Negócios Locais e Mostra Como Pequenos Empréstimos Promovem Paz e Coesão Social

Prevenção do Extremismo Violento

Com o objectivo de promover o empreendedorismo juvenil, facilitar o acesso a oportunidades económicas e reforçar a coesão social, mais de 150 beneficiários participaram na Feira de Negócios e Oportunidades de Emprego realizada a 28 de Abril de 2026, na Localidade de Meculane, distrito de Chiúre, em Cabo Delgado.

 A feira, organizada pela Fundação Nunisa com o apoio da Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), integra o projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), financiado pelo Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).

 Após beneficiarem de formações em literacia financeira e gestão de pequenos negócios, estes jovens e mulheres organizaram-se em grupos de poupança e crédito rotativo, uma iniciativa que promove a autonomia económica, incentiva o autoemprego e contribui para a paz e coesão social nas comunidades afectadas pelo conflito.

Desses grupos nasceram pequenos negócios que hoje começam a ganhar consistência. 

 É o caso de Amida Maiaca, de 49 anos, deslocada de Ancuabe, que participou na feira como expositora. Com um empréstimo inicial de 500 meticais, obtido no grupo de poupança “A Vida Começa Assim”, conseguiu retomar a produção e venda de bolinhos e badjias. 

 “Antes não tinha nada para dar aos meus filhos. Agora consigo poupar e garantir o sustento da família”, contou durante o evento, enquanto apresentava os seus produtos.

 Também Ana Amisse, mãe de seis filhos, encontrou no grupo uma nova forma de organizar a sua vida económica. 

“Aprendi que quando a gente se organiza, consegue. Hoje consigo gerir melhor o pouco que ganho e ainda poupar”, afirmou, sublinhando o impacto das formações recebidas.

 Entre os jovens, a mudança também é evidente. Josina Marcel, de 22 anos, partilhou como a combinação entre crédito e conhecimento transformou o seu negócio de panificação caseira. 

“Antes não sabia calcular o lucro. Agora sei quanto ganho, quanto devo guardar e como fazer crescer o negócio”, explicou. Com o apoio recebido, passou de um para quatro sacos de produção por ciclo, aumentando os seus rendimentos.

A feira serviu como plataforma de visibilidade para as iniciativas locais, mas também como espaço de aprendizagem e ligação com instituições públicas e privadas. Ao longo do evento, os participantes tiveram acesso à informação sobre formalização de negócios, oportunidades de financiamento e caminhos para o emprego e empreendedorismo.

Para o Chefe do Posto Administrativo de Katapua, o impacto da iniciativa vai além do evento em si. 

“Katapua não pode continuar à espera que o emprego venha de fora. Criem emprego. O emprego está aqui: no milho que produzimos, no caju que colhemos, na capulana que costuramos, nos recursos que temos e na capacidade dos nossos jovens e mulheres”, afirmou, incentivando o autoemprego. 

Na mesma ocasião, assumiu o compromisso de facilitar processos administrativos e apoiar os jovens empreendedores locais.

Na mesma linha, Cláudio Sassita, ponto focal da ADIN para projectos financiados pelo GCERF, destacou a forte ligação entre desenvolvimento económico e estabilidade social. 

“Quando apoiamos jovens a criarem meios de subsistência, estamos também a reduzir a sua vulnerabilidade e a criar bases concretas para a paz”, afirmou, sublinhando que “o emprego e o empreendedorismo só são possíveis onde há paz e coesão social”.

 Para além das exposições e sessões informativas, a feira foi também marcada por momentos culturais, com música protagonizada por jovens, que transmitiram mensagens de convivência pacífica e unidade comunitária, reforçando o papel da cultura como instrumento de coesão social.

 Durante a feira, os jovens aprenderam com instituições públicas como transformar ideias em oportunidades reais. O Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE) explicou que formalizar um negócio não é apenas burocracia, mas uma porta para aceder a crédito, parcerias e ao mercado formal. Já o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia incentivou o uso da tecnologia para criar emprego, gerar rendimento e promover a paz e coesão social. 

 Refira-se que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).