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ISAC OMAR: UMA PEQUENA POUPANÇA, UMA GRANDE MUDANÇA EM LICHINGA

CAPA

“Usei o dinheiro para abrir a minha loja, onde vendo sementes de hortícolas como feijão, cenoura e repolho, além de adubos. O negócio tem corrido muito bem”

Na comunidade de Lussanhando, distrito de Lichinga, província de Niassa, a história de Isac Omar mostra como pequenas oportunidades podem mudar vidas. Aos 26 anos, Isac encontrou num grupo de poupança e crédito rotativo uma forma de guardar dinheiro e um caminho para mudar o seu futuro.

Membro de um grupo composto por 30 participantes, que já vai no seu terceiro ciclo ao longo de três anos, Isac conta que a sua entrada foi motivada por um simples convite.

“Fui convidado para fazer parte do grupo e, no início, entrei apenas para poupar. Não imaginava que isso iria mudar tanto a minha vida”, recordou.

Após alguns meses de contribuições regulares, decidiu dar um passo ousado, solicitou um empréstimo de 5.000 meticais. Com esse valor, iniciou um pequeno negócio de comercialização de insumos agrícolas.

“Usei o dinheiro para abrir a minha loja, onde vendo sementes de hortícolas como feijão, cenoura e repolho, além de adubos. O negócio tem corrido muito bem”, explicou com entusiasmo.

Os resultados não tardaram a aparecer. Com os lucros obtidos, Isac conseguiu expandir as suas actividades, adquiriu um espaço de terra para a prática agrícola. Hoje, dedica-se também à produção de milho e batata, que reforçam a segurança alimentar da sua família.
 

“Graças ao negócio, consegui ter a minha própria machamba. Produzo milho e batata, o que ajuda muito a sustentar a minha casa”, afirmou.

Mais do que ganhos económicos, Isac sublinha o valor social e educativo do grupo.

“É muito bom fazer parte do grupo, porque além da poupança aprendemos a conviver com outras pessoas, a respeitar e a gerir negócios. Isso ajuda-nos muito a garantir o pão em casa”, disse.

Consciente dos desafios enfrentados pela juventude, Isac deixa uma mensagem clara aos seus pares.

“Queria pedir aos outros jovens para aderirem a estas iniciativas e não deixarem-se levar por promessas falsas. Não se juntem ao radicalismo”, apelou.

Esta história insere-se no âmbito do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF). A iniciativa aposta no fortalecimento dos meios de subsistência como estratégia para promover a paz, a coesão social e a estabilidade nas comunidades.

Num cenário em que o norte do país continua a enfrentar desafios decorrentes da acção de grupos extremistas violentos — particularmente desde 2017, com epicentro na província de Cabo Delgado —, e com sinais preocupantes de possível alastramento para Niassa e Nampula, iniciativas preventivas tornam-se cada vez mais urgentes.

Importa referir que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).