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JAIME FRANCISCO: “AGORA SOU PATRÃO PORQUE APRENDI A GERIR O MEU DINHEIRO E O NEGÓCIO ESTÁ A CRESCER”

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Todos os dias, camponeses da comunidade de Mahipa, distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado, chegam à casa de Jaime Francisco com sacos de milho, feijão e ervilha. É ali que o comerciante recebe a produção, pesa cada saco e organiza a revenda para outros mercados. 

Aos 34 anos, pai de seis filhos, Jaime mudou um pequeno negócio numa actividade que hoje garante o sustento da sua família e cria oportunidades de trabalho para outras pessoas da comunidade.

Nem sempre foi assim.

Antes de expandir o seu negócio, Jaime comercializava adubos químicos para conseguir algum rendimento e sustentar a família. Apesar do esforço, sentia que o dinheiro desaparecia rapidamente.

"Naquela altura vendia adubos químicos para sustentar a minha família, mas não conseguia gerir bem o dinheiro. Trabalhava, recebia algum valor, mas não sabia como fazê-lo crescer”, contou.

A mudança começou quando integrou um grupo comunitário de poupança e crédito rotativo (PVE) promovido no âmbito do Projecto “Prevenção do Extremismo Violento (PVE)”. Além do acesso ao crédito, encontrou um espaço para desenvolver conhecimentos sobre gestão financeira, planeamento do negócio e poupança.

“Foi no grupo que aprendi a gerir melhor o meu negócio e o meu dinheiro. Hoje consigo planificar, poupar e reinvestir”, relatou.

O primeiro empréstimo, de 2.000 meticais, permitiu-lhe iniciar a compra e revenda de milho e de sementes de repolho. Com os primeiros lucros adquiriu uma balança, investimento que melhorou a organização do negócio e aumentou a confiança dos produtores locais.

À medida que a actividade crescia, Jaime voltou ao grupo e solicitou um segundo empréstimo, desta vez no valor de 10.000 meticais.

“Quando recebi os 10 mil meticais consegui comprar outra balança e aumentar a quantidade de produtos que comprava aos camponeses”, explicou.

Actualmente, o seu negócio movimenta semanalmente cerca de 20 sacos de ervilha, 10 sacos de milho e 10 sacos de feijão. Os camponeses levam a produção directamente à sua residência, onde Jaime faz a compra, pesa e prepara o transporte para os mercados de Chiúre, através de uma viatura alugada.

Graças ao crescimento da actividade, Jaime obtém actualmente um lucro médio mensal de cerca de 15.000 meticais.

“Hoje consigo viver do meu negócio. Costumo dizer que agora sou patrão, porque aprendi a gerir o dinheiro e o negócio está a crescer”, frisou.

O comércio tornou-se também uma fonte de rendimento para outras famílias. Jaime trabalha diariamente ao lado da esposa e, durante os períodos de maior procura, emprega entre quatro e cinco trabalhadores sazonais da própria comunidade.

“O negócio ajuda a minha família e cria trabalho para outras pessoas quando há mais produtos para comprar e vender”, revelou.

Com os lucros obtidos, Jaime começou a melhorar as condições de vida da família. Já adquiriu um painel solar, mesas, cadeiras e barrotes para ampliar e reforçar a sua casa, investimentos que representam maior conforto e segurança para os seus filhos.

“Cada lucro que consigo procuro investir em alguma coisa que melhore a vida da minha família”, disse.

Para Jaime, criar oportunidades económicas para a juventude é também uma forma de fortalecer comunidades mais seguras e coesas.

“É importante que os jovens façam negócios e tenham uma ocupação. Quando uma pessoa trabalha e consegue ganhar o seu próprio dinheiro, passa a acreditar no futuro. Eu aconselho aos jovens a não se juntarem aos grupos armados. Nós não gostamos disso. O trabalho digno é o melhor caminho”, aconselhou.

Esta história integra as actividades do Projecto de Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF). O projecto é implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).