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JUMA PILALI: “APRENDI QUE UM JOVEM PODE CONSTRUIR O SEU PRÓPRIO CAMINHO”

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A decisão sobre o que fazer com o dinheiro não foi ao acaso. Juma observou o que faltava no mercado local e apostou na comercialização de roupa masculina, um negócio pequeno, mas pensado com cuidado.

Aos 25 anos, Juma Pilali conhece bem o peso de ser jovem, solteiro e sem uma fonte de rendimento fixa numa comunidade onde as oportunidades de emprego são escassas. Vive no bairro Central, na sede da localidade de Alua, distrito de Eráti em Nampula e, durante anos, sobreviveu de pequenos trabalhos ocasionais que raramente garantiam o suficiente para o mês inteiro. Jogava futebol nos tempos livres, mas isso não pagava as contas nem enchia o prato.

“Ser jovem sem uma actividade económica é um grande desafio. Temos falta de acesso ao financiamento para iniciar um negócio” desabafou Juma, para resumir uma realidade partilhada por muitos jovens da sua geração em Alua, onde a falta de acesso a capital inicial mantém talento e ambição presos à espera de uma oportunidade.

Essa espera terminou quando Juma decidiu juntar-se a um grupo local de poupança e crédito rotativo (PCR) um dos vários que têm vindo a organizar-se na comunidade no âmbito do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

O grupo tornou-se um espaço de aprendizagem colectiva entre jovens que enfrentavam o mesmo desafio, de transformar vontade de trabalhar em rendimento real. Foi ali, entre pares que confiavam uns nos outros e geriam em conjunto o seu próprio fundo, que Juma teve acesso a um empréstimo de 5.700 meticais.

A decisão sobre o que fazer com o dinheiro não foi ao acaso. Juma observou o que faltava no mercado local e apostou na comercialização de roupa masculina, um negócio pequeno, mas pensado com cuidado.

“Os primeiros meses exigiram disciplina, reinvestir em vez de gastar, negociar bem com os fornecedores e ganhar a confiança dos primeiros clientes. Não foi um crescimento automático, foi construído venda a venda, decisão a decisão”, explicou.

Hoje, esse cuidado começa a dar frutos. O negócio de Juma cresce de forma gradual mas consistente, e pela primeira vez em muito tempo consegue planear o seu sustento com alguma previsibilidade, em vez de viver de oportunidade em oportunidade. Juma fala de uma mudança na forma como se vê a si próprio, de jovem à espera de uma oportunidade, para jovem empreendedor que sabe gerir um negócio e tomar decisões.

“Hoje, graças ao apoio recebido, consegui iniciar o meu negócio e melhorar a minha vida. Aprendi que um jovem pode construir o seu próprio caminho. No futuro pretendo aumentar o volume de vendas, diversificar os produtos e criar condições para empregar outros jovens que hoje vivem a mesma incerteza que vivi. Gostaria que o grupo de poupança continue a abrir portas para outros, tal como abriu para mim”, afirmou.

Esta iniciativa faz parte do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

Importa salientar que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela AAMoz, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).