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LIZETE MAURÍCIO: “HOJE SINTO-ME MAIS FORTE”

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“Ser mãe solteira não é fácil, mas hoje sinto-me mais forte porque consigo alimentar e cuidar dos meus filhos com dignidade”

Lizete Maurício tem 28 anos e é mãe de três filhos. Cria-os sozinha, num contexto onde ser mulher, mãe solteira e chefe de família significa carregar, praticamente sem rede de apoio, todo o peso do sustento de uma casa. Em Mualangonha, localidade de Alua-Sede, distrito de Eráti, como em diferentes comunidades, esse é um desafio que atinge sobretudo as mulheres, porque frequentemente conciliam o trabalho de cuidar com a necessidade de gerar rendimento, muitas vezes com menos acesso a capital, terra ou crédito do que os homens.

Lizete nunca deixou essa desigualdade defini-la. Antes de qualquer apoio externo, já se levantava cedo para preparar bolinhos e vendê-los na comunidade, um negócio pequeno, feito com as próprias mãos, que garantia algum rendimento, mas dificilmente cobria tudo o que os três filhos precisavam, comida e material escolar.

A mudança começou quando Lizete se juntou ao quarto grupo de poupança e crédito rotativo (PCR) da sua comunidade, um dos grupos que se organizam com apoio do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE). Ali, ao lado de outras mulheres na mesma situação, teve acesso a um empréstimo de 10.000 meticais. A decisão sobre como usar esse valor mostra a visão de negócio que já tinha.

“Em vez de gastar com necessidades imediatas, decidi comprar um congelador. Era o equipamento que faltava para transformar o meu negócio de bolinhos numa actividade capaz de crescer”, disse.

Com o congelador, Lizete diversificou. Aos bolinhos juntou gelinhos e maheu, dois produtos muito procurados na comunidade, especialmente nos dias mais quentes.

“O meu negócio passou a gerar mais e de forma mais consistente, e esse crescimento traduziu-se em algo muito concreto. consegui responder, mês após mês, às necessidades dos filhos sem depender de rendimentos ocasionais”, explicou.

Hoje Lizete fala com serenidade sobre uma mudança que vai além do dinheiro.

“Ser mãe solteira não é fácil, mas hoje sinto-me mais forte porque consigo alimentar e cuidar dos meus filhos com dignidade”, frisou.

Assim como Lizete, outras mulheres do grupo que, através dos grupos de PCR, têm vindo a reforçar os seus negócios e a sua voz dentro das famílias e da comunidade.

Esta iniciativa faz parte do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).

Importa salientar que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela AAMoz, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).