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MADALENA RECONSTRÓI A SUA VIDA APÓS AS CHEIAS EM XINAVANE

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“Trouxeram os kits de emergência directamente à minha casa, por isso não precisei de sair. Isso foi muito bom. Ajudaram-me bastante”.

A vida de Madalena Mulhovo, de 69 anos de idade, residente no bairro Sambo, em Xinavane, distrito da Manhiça, mudou drasticamente no início deste ano, depois das piores cheias das últimas décadas terem atingido Moçambique. Foram afectadas mais de 800 mil pessoas em todo o país, incluindo mais de 63 mil no distrito da Manhiça. Madalena é conhecida na sua comunidade por produzir e vender de esteiras na sua casa, actividade que lhe permite satisfazer as necessidades básicas da família.

Madalena viu as águas das cheias invadirem o bairro e entrarem na sua casa, tendo destruído os seus pertences. Tal como muitas pessoas idosas que vivem com deficiência nas zonas afectadas pelas inundações, dependeu da ajuda da comunidade para ser evacuada para um local seguro.

“Não consegui levar nada quando a chuva começou. Tudo ficou inundado. Os meus vizinhos ajudaram-me a sair de casa e a chegar a um lugar seguro, porque eu não teria conseguido caminhar sozinha”, recordou.

Madalena permaneceu durante vários dias num centro de acomodação temporária, na esperança de que o deslocamento fosse apenas temporário. Recebeu apoio de outras mulheres que se encontravam no abrigo, enquanto tentava avaliar o que ainda poderia recuperar da sua casa e como iria reconstruir a sua vida após as cheias.

Quando finalmente regressou a casa, encontrou as suas roupas e utensílios domésticos cobertos de lama, danificados e sem qualquer utilidade, o que marcou o início de um longo processo de recuperação.

“Quase tudo foi destruído”, afirmou.

A sua principal preocupação passou a ser garantir as necessidades básicas do agregado familiar e recuperar das perdas provocadas pelas cheias.

A resposta humanitária liderada pela comunidade e apoiada pela Associação ActionAid Moçambique ajudou a restabelecer a estabilidade do seu lar, preservar a sua dignidade, reduzir riscos para a saúde e proporcionar algum conforto enquanto reconstruía a sua vida após a devastação causada pelas cheias.

“Trouxeram os kits de emergência directamente à minha casa, por isso não precisei de sair. Isso foi muito bom. Ajudaram-me bastante”, disse.

A entrega domiciliária dos kits de emergência para pessoas com mobilidade reduzida garantiu que a assistência chegasse aos titulares de direitos de forma segura e digna.

Apesar das limitações de mobilidade, Madalena continua a assumir as responsabilidades diárias da sua casa. No entanto, a possibilidade de novas cheias e a existência de infraestruturas pouco acessíveis continuam a representar grandes riscos para pessoas idosas que vivem com deficiência.

“Fiquei com esta deficiência depois de cair enquanto caminhava no quintal. Agora não consigo andar bem nem fazer trabalhos pesados. Já nem consigo ir à machamba”, explicou.

A reconstrução da segurança alimentar a longo prazo continua a ser um dos maiores desafios de Madalena, juntamente com a necessidade de repor utensílios domésticos essenciais enquanto procura reorganizar a sua vida.

“Um dia pode voltar a chover, mas não tenho para onde ir. Só tenho esta casa. Se me dessem outra casa, eu poderia sair daqui”, lamentou.

Tal como muitas famílias que vivem no bairro Sambo e em outras zonas propensas a inundações no distrito da Manhiça, Madalena continua a enfrentar incertezas relacionadas com habitações inseguras, choques climáticos recorrentes e opções limitadas de reassentamento para pessoas idosas e pessoas com deficiência. Por isso, apelou ao reforço do apoio social destinado a este grupo.

“Gostaria que o Governo apoiasse todas as pessoas com deficiência através da assistência social, para ajudá-las a satisfazer as suas necessidades”, apelou.

À medida que as comunidades de Xinavane continuam a reconstruir-se após as cheias, pessoas idosas e pessoas com deficiência, como Madalena, permanecem entre os grupos mais afectados pela precariedade habitacional, pela perda dos meios de subsistência e pelo limitado acesso ao apoio social. Investimentos contínuos em processos de recuperação inclusivos, habitação segura, meios de subsistência sustentáveis e sistemas comunitários de apoio são fundamentais para ajudá-las a reconstruir as suas vidas com dignidade, estabilidade e segurança.