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MARLÊ CHAIBO: “A COSTURA TROUXE MAIS UMA OPORTUNIDADE PARA GANHAR DINHEIRO. HOJE CONSEGUIMOS TRABALHAR JUNTAS E CADA UMA AJUDA A OUTRA”

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Marlê Chaibo inicia o seu dia antes do sol nascer. Com 25 anos e residente na comunidade de Malica, província de Niassa, todos os dias divide o tempo entre os cuidados da casa,  machamba, costura e dos seus dois filhos menores. Ao lado do marido, mecânico de motorizadas, constrói diariamente estratégias para garantir o sustento da família.

Todas as manhãs, depois de concluir as tarefas domésticas, Marlê segue para a machamba. Mais tarde, leva alguns produtos para vender, por forma a garantir um rendimento complementar para a família.

Durante muito tempo, a agricultura foi a principal fonte de rendimento do agregado familiar. Na machamba cultivavam milho, feijão e batata. Parte da produção era consumida em casa e o restante vendida na comunidade.

“Sempre vivemos da machamba. Vendíamos uma parte da produção e outra ficava para alimentar a nossa família. Era assim que conseguíamos responder às despesas da casa”, contou.

Um dia ouviu falar do Grupo de Poupança e Crédito Rotativo (PCR) na sua comunidade através de duas amigas. Curiosa, decidiu participar numa das reuniões e, pouco tempo depois, tornou-se membro do grupo de poupança de Malica, composto por cerca de 35 mulheres. O grupo reúne-se regularmente no Espaço Seguro de Malica, um local onde as participantes fortalecem capacidades, partilham experiências e encontram apoio para enfrentar os desafios do dia-a-dia.

“Entrei porque queria aprender a poupar e melhorar a vida da minha família. Hoje sinto que fazemos parte de uma grande equipa de mulheres que se apoiam umas às outras”, disse.

Todas as semanas, as mulheres reúnem-se no Espaço Seguro de Malica. Enquanto algumas fazem novas poupanças, outras levantam os valores acumulados para investir nos seus pequenos negócios, responder às necessidades das suas famílias ou enfrentar situações imprevistas. 

“Cada encontro fortalece-nos. Aqui aprendemos, partilhamos experiências e apoiamo-nos mutuamente”, confessou.

No âmbito do Projecto “Prevenção do Extremismo Violento (PVE)”, Marlê e outras mulheres participaram de uma formação em corte e costura. O projecto disponibilizou máquinas de costura que permitiram transformar a aprendizagem numa oportunidade de geração de rendimento.

“No início foi difícil. Nunca tinha costurado e pensei que não fosse conseguir. Mas aprendemos umas com as outras e hoje já faço roupas para mulheres, homens e crianças”, referiu.

Através da capulana, um tecido profundamente enraizado na cultura moçambicana, Marlê confecciona diferentes peças de vestuário que respondem às necessidades da comunidade e geram rendimento para as mulheres envolvidas na iniciativa.

“A costura trouxe mais uma oportunidade para ganhar dinheiro. Hoje conseguimos trabalhar juntas e cada uma ajuda a outra”, explicou.

Além do rendimento proveniente da agricultura, Marlê passou a contar com o dinheiro obtido através da costura, o que lhe permitiu melhorar gradualmente as condições da sua casa.

“Com a poupança consegui comprar frigideiras e outros utensílios que precisava. Hoje já consigo resolver muitas necessidades da minha casa”, frisou.

Para Marlê, o Espaco Seguro é um lugar onde crescem a confiança, a solidariedade e a capacidade de construir comunidades mais resilientes.

“Quando as mulheres têm oportunidades para aprender, trabalhar e poupar, conseguem cuidar melhor das suas famílias e apoiar outras mulheres. Assim construímos comunidades com mais união e paz”.

Embora reconheça as mudanças que já alcançou, Marlê continua a sonhar mais alto.

“No futuro gostaria de construir uma casa coberta com chapas para dar melhores condições à minha família. Continuarei a trabalhar, a poupar e a aprender para tornar esse sonho realidade”.

Esta história integra as actividades do Projecto “Prevenção do Extremismo Violento (PVE)”, implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).