MARTA MUELIA: “HOJE SOU UMA MULHER FELIZ”
“Comecei pequeno, com o que cabia numa mesa na varanda. Mas eu sabia que se gerisse bem, ia crescer”.
No bairro Naculue, no Posto Administrativo de Alua, em Eráti, Marta Muelia, de 29 anos, cria a filha sozinha. Como acontece com muitas mulheres chefes de família na sua comunidade, o desafio nunca foi falta de vontade de trabalhar, foi a falta de dinheiro para começar.
“Eu sempre soube que conseguia vender e negociar bem. O que me faltava era o dinheiro para começar”, recordou.
Essa barreira começou a ceder quando Marta se tornou membro do quarto grupo de poupança e crédito rotativo (PCR) de Alua-Sede, um grupo organizado com apoio do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE). Através do grupo teve acesso a um empréstimo de 6.300 meticais para dar o primeiro passo que lhe faltava. Em vez de esperar por um espaço formal de comércio, Marta olhou para o que já tinha, a varanda da sua própria casa. Ali montou o primeiro stock de sabão, detergente Omo, sal, ovos e óleo alimentar, produtos de uso diário que sabia terem procura garantida entre os vizinhos.
“Comecei pequeno, com o que cabia numa mesa na varanda. Mas eu sabia que se gerisse bem, ia crescer”, explicou Marta.
A gestão cuidadosa que Marta descreve não ficou apenas nas palavras. Reinvestiu os lucros em vez de os consumir, e o pequeno negócio de varanda começou a crescer de forma constante. O momento decisivo chegou quando os lucros acumulados lhe permitiram construir uma banca própria, uma estrutura que lhe deu mais espaço, mais visibilidade no bairro e condições de trabalho muito melhores do que a varanda inicial.
“Quando consegui construir a minha banca, senti que o negócio já não era só uma forma de sobreviver ao mês. Era algo meu, que eu tinha construído com as minhas próprias mãos”, disse.
Hoje, esse crescimento traduz-se em algo muito concreto para Marta e a sua filha, já não há incerteza sobre se vai haver comida em casa ou dinheiro para as necessidades básicas da filha.
“Hoje sou uma mulher feliz. Consigo alimentar a minha filha e, mesmo sendo mãe solteira, consigo sustentar a minha família com dignidade”, partilhou.
Esta iniciativa faz parte do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).
Importa salientar que o projecto PVE está a ser implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela AAMoz, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).