MULHERES DE MALICA REFORÇAM AUTONOMIA E ESPERANÇA ATRAVÉS DE ESPAÇOS SEGUROS E GRUPOS DE POUPANÇA
Setenta (70) mulheres da localidade de Malica, distrito de Lichinga, província de Niassa, estão a dar novos passos para melhorar as suas condições de vida, organizadas em dois grupos distintos: o Espaço Seguro do Centro de Reassentamento de Malica e o Espaço Seguro da Comunidade de Malica, cada um com 35 membros.
A iniciativa faz parte do projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) e financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).
As actividades foram recentemente acompanhadas por uma equipa do GCERF e da ADIN, durante uma visita de monitoria ao terreno. No Espaço Seguro do Centro de Reassentamento, as 35 mulheres partilharam abertamente as suas experiências, os desafios do dia-a-dia e as mudanças que já começam a notar nas suas vidas desde que passaram a integrar o espaço seguro.
Já no Espaço Seguro da comunidade de Malica, a equipa teve a oportunidade de assistir a uma sessão do Reflect, centrada na numeracia, onde as participantes aprendem de forma prática, enquanto discutem questões que afectam o seu quotidiano.
Para além disso, foram visitadas as actividades económicas desenvolvidas no âmbito dos grupos de poupança e crédito rotativo, que têm permitido às mulheres iniciar pequenos negócios e fortalecer a sua autonomia financeira.
Fátima Suza é um desses exemplos. Com o apoio do grupo, conseguiu investir na agricultura.
“Solicitei um financiamento 3.000 meticais para comprar sementes de cenoura e depois mais 2.000 meticais para adubo. Espero colher cerca de 15 sacos de cenoura na minha machamba e cada saco vou vender a 1500 meticais”, contou.
Segundo Fátima, os rendimentos já têm destino definido. “Vou devolver o dinheiro ao grupo e usar o lucro para comprar material escolar para os meus filhos e ajudar nas despesas de casa. Assim, outras mulheres também podem beneficiar”, explicou.
Também Alabia Saide recorreu ao fundo rotativo para desenvolver a sua produção agrícola.
“Emprestei 3.000 meticais para comprar sementes de feijão manteiga e mais 3.000 meticais para adubo. Estou a produzir numa área de um quarto de hectare. Este projecto está ajudar-me muito”, disse.
O projecto tem apostado no reforço do empreendedorismo feminino através de formação, acesso a financiamento e criação de grupos de poupança, ao mesmo tempo que incentiva a participação cívica e o uso da metodologia Reflect.
A combinação da inclusão económica, coesão social e prevenção da radicalização, a iniciativa está a abrir novas oportunidades para mulheres e jovens e também redução de vulnerabilidades.
Importa referir que, o projecto PVE é implementado em Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, pela ActionAid Moçambique, em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Movimento Activista Moçambique (MAM) e a Associação Kuendeleya.