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“𝐇𝐨𝐣𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐝𝐮𝐳𝐨 𝐧𝐚 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐩𝐫ó𝐩𝐫𝐢𝐚 𝐦𝐚𝐜𝐡𝐚𝐦𝐛𝐚”: a história de Arcen Rachide, jovem que transformou crédito em autonomia

“𝐇𝐨𝐣𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐝𝐮𝐳𝐨 𝐧𝐚 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐩𝐫ó𝐩𝐫𝐢𝐚 𝐦𝐚𝐜𝐡𝐚𝐦𝐛𝐚”: a história de Arcen Rachide, jovem que transformou crédito em autonomia

Prevenção do Extremismo Violento

Num contexto marcado por desafios económicos e acesso limitado a oportunidades para jovens nas zonas rurais, iniciativas como Poupança e Crédito Rotativo tem vindo a abrir novos caminhos para a reconstrução de meios de vida no distrito de Lichinga, província de Niassa.

Na comunidade de Naossa, os grupos de poupança e crédito rotativo afirmam-se como espaços de inclusão financeira, aprendizagem colectiva e fortalecimento da autonomia. 

Mais do que mecanismos de acesso a pequenos empréstimos, estes grupos representam um espaço de participação e inclusão onde mulheres e jovens deixam de ser vistos como beneficiários passivos e passam a ser protagonistas do seu próprio desenvolvimento.

Actualmente, a comunidade conta com três grupos de poupança, envolvendo cerca de 90 membros. Até ao momento, mais de 28 jovens já beneficiaram de empréstimos para desenvolver iniciativas de geração de rendimento, incluindo machambas, oficinas, bancas e pequenos negócios locais.

“Apresentei o meu plano e o grupo acreditou em mim”

Entre esses jovens está Arcen Rachide, de 23 anos, cuja história reflecte o impacto directo do acesso ao crédito aliado à confiança e à organização comunitária.

“Em Outubro de 2025, apresentei ao meu grupo o meu plano de negócio para abertura da minha machamba de produção de cenoura”, conta.

O processo não foi apenas financeiro, foi também um exercício de participação, planeamento e afirmação do seu direito a decidir sobre o seu futuro.

“Solicitei um empréstimo de 7.000 meticais. O valor serviu para comprar adubo e pagar trabalhadores para preparar a minha machamba, que tem aproximadamente dois hectares”.

Para Arcen, o acesso ao crédito representou mais do que um investimento agrícola: foi a oportunidade de construir autonomia e dignidade através do seu próprio esforço.

“Estou muito feliz e espero produzir mais de 30 sacos de cenoura”, afirma, com expectativa e confiança.

Através da metodologia REFLECT e da dinâmica colectiva dos grupos, os membros não só poupam e acedem a crédito, como também desenvolvem competências de gestão, solidariedade e responsabilidade partilhada.

Para Arcen, o impacto vai além da produção agrícola:

“O grupo de poupança tem me ajudado bastante. Não é só dinheiro, é também apoio e confiança”.

“Vou devolver para que outros também tenham oportunidade”

Um dos princípios fundamentais destes grupos é a sustentabilidade e a rotatividade do fundo, garantindo que mais membros possam beneficiar.

Arcen reconhece este compromisso colectivo:

“Vou devolver o valor ao grupo para permitir que outros colegas também possam fazer empréstimos”.

Esta lógica reforça os valores de equidade, responsabilidade e justiça social. 

A história de Arcen demonstra que, quando os jovens têm acesso a oportunidades, informação e recursos, são capazes de transformar as suas próprias realidades, tornando-se num agente activo na reconstrução do seu meio de vida, contribuindo para a economia local e para o fortalecimento da sua comunidade.

A história de Arcen é uma entre muitas. É o reflexo de uma juventude que, quando apoiada com ferramentas certas, deixa de esperar por soluções externas e passa a construí-las.

“Hoje tenho a minha machamba. Estou a trabalhar para crescer. Tenho esperança no futuro”.

A iniciativa enquadra-se no Projecto Prevenção do Extremismo Violento (PVE), implementado em Cabo Delgado, Niassa e Nampula, até 2026, pela ActionAid Moçambique em parceria com a Associação ASSANA, Fundação NUNISA, Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), Movimento Activista Moçambique (MAM) e Associação Kuendeleya com o apoio do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF) através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).