SÁDIA BUANASSA: SÁDIA BUANASSA: “SEMPRE COZINHEI PARA VENDER. FOI ASSIM QUE CONSEGUI ALIMENTAR OS MEUS FILHOS E ENFRENTAR MUITOS DESAFIOS”.
“Entrei no grupo porque queria aprender a poupar e organizar melhor o dinheiro que fazia com a venda da comida”.
Ao aproximar-se da hora do almoço, há um aroma que percorre as ruas do bairro de Paquite, na cidade de Pemba. O cheiro do arroz acabado de cozinhar mistura-se com o da matapa, do peixe e do frango preparados por Sádia Buanassa, uma mulher cuja cozinha se tornou ponto de encontro para muitas pessoas da comunidade.
“Há clientes que já sabem a que horas a comida fica pronta. Alguns passam todos os dias porque dizem que gostam da minha maneira de cozinhar”, contou.
Muito antes de o seu nome ser conhecido pela qualidade das refeições que prepara, Sádia já tinha encontrado na culinária uma forma de cuidar da sua família. Mãe de cinco filhos, transformou um conhecimento adquirido ao longo da vida numa actividade que garante o sustento da casa.
“Sempre cozinhei para vender. Foi assim que consegui alimentar os meus filhos e enfrentar muitos desafios”.
Todos os dias começam cedo. Antes de o movimento aumentar no bairro, já está no mercado à procura de peixe fresco, legumes e outros ingredientes que dão sabor aos pratos tradicionais de Cabo Delgado. Arroz, matapa, peixe, feijoada, frango e outras especialidades fazem parte do menu que prepara diariamente para clientes de diferentes idades e profissões.
“Quando preparo uma refeição, quero que as pessoas sintam que comeram bem e que valeu a pena voltar”.
Apesar da dedicação, reconhecia que gerir o dinheiro continuava a ser um desafio. Foi por isso que decidiu integrar o Grupo de Poupança e Crédito Rotativo (PCR) do bairro de Paquite.
“Entrei no grupo porque queria aprender a poupar e organizar melhor o dinheiro que fazia com a venda da comida”.
No grupo encontrou um espaço de confiança, aprendizagem e apoio entre mulheres e outros membros da comunidade. Aos poucos, começou a planificar melhor as despesas, separar o dinheiro do negócio das despesas da família e pensar em formas de fazer crescer a actividade.
“Hoje já consigo poupar e tomar decisões com mais calma. Aprendi que o dinheiro também precisa de ser organizado para o negócio crescer”.
Para Sádia, a poupança é uma forma de criar oportunidades para o futuro e continuar a investir naquilo que faz melhor.
“O meu sonho é ter um espaço melhor, com boas condições para receber os meus clientes. Quero que as pessoas possam comer com mais conforto e que o negócio continue a crescer”.
Enquanto esse dia não chega, continua a fazer aquilo que mais gosta: cozinhar. Cada prato servido representa uma forma de fortalecer os laços da comunidade, preservar os sabores tradicionais de Cabo Delgado e afirmar o papel das mulheres como protagonistas da economia local.
Esta história integra as actividades do Projecto “Prevenção do Extremismo Violento (PVE)”, implementado pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), com financiamento do Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade (GCERF).