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“COMECEI A POUPAR, ABRI O MEU NEGÓCIO E HOJE INCENTIVO A COMUNIDADE A ESCOLHER O BOM CAMINHO”

“Antes do projecto, eu só trabalhava na machamba. Queria melhorar a vida da minha família, mas não sabia por onde começar. A formação ensinou-me como iniciar um negócio e onde conseguir dinheiro para investir”

“Antes do projecto, eu só trabalhava na machamba. Queria melhorar a vida da minha família, mas não sabia por onde começar. A formação ensinou-me como iniciar um negócio e onde conseguir dinheiro para investir”

Aos 26 anos, Mariamo Basílio, mãe de quatro filhos, vivia da agricultura. A machamba garantia parte da alimentação da família, mas não cobria todas as necessidades.

“Eu vivo em Meculane, no posto administrativo de Katapua, distrito de Chiúre, em Cabo Delgado. O meu marido é ajudante de pedreiro, mas o trabalho nem sempre aparece. Quando falta, ele procura oportunidades noutros distritos para conseguirmos sustentar a família”

A entrada no grupo de poupança trouxe-lhe uma nova oportunidade. Mariamo começou por aprender a poupar e recebeu formação sobre gestão do negócio.

“Antes do projecto, eu só trabalhava na machamba. Queria melhorar a vida da minha família, mas não sabia por onde começar. A formação ensinou-me como iniciar um negócio e onde conseguir dinheiro para investir”

Com a poupança e o acesso a um crédito de 3.000 MT, Mariamo iniciou a venda de produtos de primeira necessidade.

“Com o crédito, comecei a vender alguns produtos como óleo, arroz, massa, refrigerante, caldo, sabão e Omo”

O pequeno negócio tornou-se uma nova fonte de rendimento para a família.

Mariamo estima actualmente um lucro mensal superior a 4.000 MT. Com os rendimentos do negócio, conseguiu adquirir alguns bens para a família e melhorar as suas condições de vida. 

“Com o que ganho, já consegui comprar panelas, mantas e uma lona para proteger os meus produtos. Também melhorou a alimentação da minha família. Antes tinha dificuldades até para comprar roupa”

Para Mariamo, porém, o maior resultado não está no dinheiro que consegue gerar. Está na confiança que ganhou para continuar a crescer.

“Este é apenas o início. O meu sonho é fazer algo maior, ter mais produtos e melhorar as condições da minha banca, para transformar o negócio numa mercearia”

A mudança económica também trouxe uma mudança no seu papel dentro da comunidade. A experiência adquirida através do projecto tornou Mariamo numa referência para outras pessoas que enfrentam dificuldades semelhantes.

“Hoje já falo com a comunidade. Digo às pessoas para procurarem o bom caminho, para não ouvirem quem promete dinheiro fácil e para não se deixarem recrutar por causa desse dinheiro”

Para Mariamo, a poupança e os grupos comunitários de poupança representam uma alternativa concreta para começar um negócio, fortalecer a confiança, a cooperação e a coesão entre os membros da comunidade.

“Eu aconselho as pessoas a entrarem nos grupos de poupança, porque ali podemos aprender, poupar e conseguir apoio para começar um negócio. Não precisamos de procurar caminhos que podem trazer problemas”

A sua mensagem vai além do incentivo ao empreendedorismo. Mariamo procura também ajudar a comunidade a reconhecer situações que podem aumentar a vulnerabilidade dos jovens ao recrutamento.

“Quando conversamos com as pessoas, falamos também sobre como identificar os riscos de recrutamento. Eu digo aos jovens para procurarem oportunidades e ocupações positivas e não acreditarem em promessas de dinheiro fácil”

A sua voz ganha força porque é acompanhada pelo seu próprio exemplo. Quem a escuta vê uma jovem que antes não tinha um negócio, mas que encontrou, através da capacitação, da poupança e do acesso a capital, uma forma de iniciar uma actividade económica e melhorar as condições da sua família.

“As pessoas gostam de ouvir porque olham para o meu exemplo. Eu mostro que podemos começar com pouco, aprender e crescer”

Hoje, Mariamo quer continuar a crescer, mas também quer que outras pessoas encontrem alternativas semelhantes.

“O projecto fez bem em trazer este fundo. Eu gostaria que o apoio fosse reforçado para que mais pessoas possam começar os seus negócios e ter uma ocupação positiva”

“Eu comecei com pouco, mas hoje tenho um negócio e tenho uma voz. Quero que outras pessoas também encontrem um caminho positivo”

A história de Mariamo é uma entre várias de beneficiários que viram as suas vidas transformadas no âmbito das mudanças que o Projecto de Prevenção do Extremismo Violento (PVE) procura promover nas comunidades. 

Implementado nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula até finais de 2026, o projecto combina acções de prevenção do extremismo violento com o fortalecimento das capacidades económicas, da coesão social e dos meios de vida das comunidades, em parceria com a Associação ASSANA, a Fundação NUNISA, o Conselho Cristão de Moçambique (CCM Cabo Delgado e Niassa), a Associação Kuendeleya e o Movimento Activista Moçambique (MAM).