AAMOZ E UNICEF TREINAM FACILITADORES E GESTORES DE CASO PARA RESPONDER À CRISE HUMANITÁRIA EM MEMBA
Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), com o apoio do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), deu início, no último sábado (29), a um programa de treinamento de facilitadores e gestores de caso para reforçar a resposta humanitária à crise desencadeada pelos recentes ataques de grupos armados não-estatais no distrito de Memba, província de Nampula.
A actividade marca o primeiro passo da intervenção conjunta, que incluirá posteriormente acções de protecção, apoio psicossocial, gestão de casos e mobilização comunitária. Os activistas irão actuar directamente nos centros de acolhimento, para apoiar na identificação, encaminhamento e acompanhamento de crianças vulneráveis, sobreviventes de violência baseada no género, famílias em risco e pessoas com necessidades especiais.
Segundo um dos facilitadores e técnico da Direcção Provincial Género, Criança e Acção Social, Isaias Avelino, o treinamento representa um passo decisivo para fortalecer as capacidades locais, por forma a garantir que a resposta seja mais coordenada, rápida e sensível às necessidades das pessoas deslocadas.
“Estamos a trabalhar com dois grupos: um dedicado à gestão de casos e outro focado na formação de facilitadores que irão actuar nos espaços amigos da criança. A nossa expectativa é que todas as intervenções garantam o respeito pelos direitos da criança. Queremos assegurar que haja identificação e encaminhamento adequado dos casos de crianças em situação de vulnerabilidade, para que todas as suas necessidades sejam atendidas e os seus direitos protegidos e respeitados”, disse Avelino.
A província de Nampula vive um agravamento da insegurança desde o início de Novembro, quando ataques sucessivos de grupos armados atingiram várias comunidades de Memba, entre elas Milipa, Mariri, Mazula, Cava, Naquite, Mitemo e Micane, o que provocou uma deslocação em massa da população. De acordo com os dados mais recentes da IOM-DTM (25 de Novembro), pelo menos 82.691 pessoas — correspondentes a 16.131 famílias — fugiram dos ataques e deslocaram-se principalmente para o distrito vizinho de Eráti, com destaque para as comunidades de Alua Sede, Alua Velha, Namapa e o centro de trânsito de Milava.
As autoridades e organizações humanitárias alertam, no entanto, que o número real de deslocados pode ser ainda maior. Relatos não verificados indicam que muitas famílias também procuraram refúgio em Monapo, Mossuril, Nacala e Cidade de Nampula, bem como em Chiúre e Mecúfi, na província de Cabo Delgado. Projecções iniciais já apontam para um possível total de até 95.000 deslocados.
O impacto humanitário tem sido particularmente severo para os grupos mais vulneráveis e muitas famílias caminharam durante dias para alcançar segurança e chegaram em condições de exaustão, sem documentação e com elevados níveis de perturbação emocional.
Actualmente, milhares de pessoas estão abrigadas em locais improvisados, entre salas de aula, tendas ou espaços abertos, onde enfrentam falta de água potável, saneamento precário e risco acrescido de doenças. Há também registo de crianças separadas ou desacompanhadas, um dos principais motivos para a AAMoz priorizar o reforço da protecção infantil e mecanismos de acompanhamento.