COMUNIDADE DE NACURARE, EM MURRUPULA, REFLECTE SOBRE VIOLÊNCIA DIGITAL CONTRA MULHERES E RAPARIGAS
A violência ainda é um grande problema. Por isso, primeiro precisamos conhecer os nossos direitos, para podermos identificar riscos, pedir ajuda e prevenir situações de perigo”,
A comunidade de Nacurare, no distrito de Murrupula, província de Nampula, acolheu na última sexta-feira (28), um encontro de reflexão que reuniu raparigas do Espaço Seguro local, técnicos de Saúde, Direcção Provincial do Género, Criança e Acção Social, Instituto do Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ) e o chefe do Gabinete Distrital de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência. A iniciativa enquadra-se nos esforços de sensibilização dos 16 Dias de Activismo contra a Violência Baseada no Género.
O encontro teve como principal objectivo reforçar o conhecimento das raparigas sobre violência digital, mecanismos de denúncia e procedimentos de encaminhamento de casos de Violência Baseada no Género (VBG). As equipas técnicas presentes partilharam informação acessível e adaptada ao contexto comunitário, explicando os direitos das vítimas, os serviços disponíveis e o papel das instituições na protecção.
Durante o debate, as raparigas colocaram várias perguntas relacionadas com situações de violência vividas na comunidade, desafios no uso seguro das redes sociais e formas de obter apoio quando se deparam com casos de violação de direitos. Todas as questões foram esclarecidas pelos representantes das instituições presentes, que mostraram-se abertos a proteger mulheres, raparigas e crianças.
Durante a sessão, as raparigas foram incentivadas a denunciar qualquer forma de violência e a colaborar com as autoridades locais para garantir o seguimento adequado dos casos. As instituições lembraram que a denúncia é fundamental para interromper ciclos de violência e assegurar que as vítimas recebam a assistência necessária.
Para Sara Agostinho, a sessão trouxe ensinamentos importantes sobre o uso responsável da internet.
“Aprendi muito sobre violência digital. Não devemos partilhar imagens íntimas de outras pessoas sem o consentimento delas. Isso pode causar consequências muito graves para as vítimas e afectar profundamente a vida delas. Agora sei que devemos sempre proteger a nossa privacidade e a dos outros”, explicou.
Já Dária Horácio sublinhou a importância de conhecer os direitos para prevenir situações de risco.
“A violência ainda é um grande problema. Por isso, primeiro precisamos conhecer os nossos direitos, para podermos identificar riscos, pedir ajuda e prevenir situações de perigo”, disse.
O encontro de reflexão em Nacurare enfatizou a importância da articulação entre instituições públicas, espaços seguros e a comunidade, para promover um ambiente onde as raparigas sintam-se informadas, protegidas e encorajadas a exigir os seus direitos.
Importa referir que, a iniciativa foi promovida pela Associação ActionAid Moçambique (AAMoz), no âmbito do projecto “Toda a Rapariga é Capaz”, implementado em consórcio pela Visão Mundial e Rede HOPEM, com apoio financeiro da Global Affairs Canada. O projecto pretende beneficiar cerca de 25.000 raparigas e mulheres jovens, com idades entre 10 e 24 anos, nos distritos de Nacarôa e Murrupula, para fortalecer a sua protecção e autonomia.