CHEIAS ARRASAM MANHIÇA E EXPÕEM URGÊNCIA DE APOIO HUMANITÁRIO ÀS FAMÍLIAS AFECTADAS
“Tive que fugir de Buna sem nada. Tudo o que tinha a água levou. Pedimos ajuda em mantas, água, comida e terrenos”
As cheias e inundações que assolam o distrito de Manhiça, província de Maputo, continuam a provocar destruição em larga escala e deixam milhares de famílias em situação de extrema vulnerabilidade. Casas submersas, campos agrícolas inundados e estradas cortadas desenham um cenário de emergência humanitária que exige resposta imediata.
Elsa Manhique, residente da zona de Buna, é um dos rostos deste drama.
“Tive que fugir de Buna sem nada. Tudo o que tinha a água levou. Pedimos ajuda em mantas, água, comida e terrenos”, relatou, visivelmente abalada.
As zonas de Josina Machel, 3 de Fevereiro e Xinavane são actualmente as mais afectadas, com estradas cortadas e cerca de 6.000 hectares inundados, o que afecta aproximadamente 3.000 famílias em situação crítica.
O coordenador do Comité Local de Gestão de Desastres da zona de 3 de Fevereiro, Euclides Joaquim, sublinhou o esforço comunitário e institucional em curso.
“Aqui estamos a ajudar as populações afectadas pelas cheias. Fazemos tudo aquilo que for necessário para acomodar as famílias. Até o momento tudo está bem”, disse.
No distrito funcionam dois centros de acolhimento — um em Xinavane e outro na Escola Secundária 3 de Fevereiro — onde famílias desalojadas recebem abrigo temporário.
Perante a gravidade da situação, Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) realizou esta terça-feira (20) uma visita ao distrito de Manhiça para avaliar, no terreno, as necessidades humanitárias mais urgentes.
A delegação reuniu-se com o governo distrital e o Instituto Nacional de Gestão de Desastres, num encontro que contou com a presença do administrador distrital, Matias Parruque, do vice-presidente do INGD, Gabriel Belem Monteiro, da delegada provincial do INGD, Sara Matchie, e do presidente do Conselho Autárquico de Manhiça, Luís Munguambe.
Durante o encontro, o administrador Matias Paurruque, identificou claramente as áreas mais vulneráveis do distrito e garantiu que já existem condições criadas na Ilha Jozina Machel para acolher as populações afectadas, com infraestruturas prontas. No Posto Administrativo de 3 de Fevereiro, as operações de resgate foram reforçadas com a entrada em funcionamento de três embarcações adicionais, aumentando a capacidade de resposta.
A nível nacional, os números reflectem a dimensão alarmante da crise. Dados do INGD indicam que, entre 21 de dezembro e 19 de janeiro, 594.681 pessoas, correspondentes a 11.937 famílias, foram afectadas por cheias e inundações em todo o país. Registaram-se 112 óbitos e a destruição de 12.233 casas. Só nas províncias de Gaza e Maputo, incluindo a Cidade de Maputo, foram afetadas 594.681 pessoas, sendo 330.390 em Gaza e 264.291 em Maputo.
Importa referir que o Governo, através do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), mobilizou meios significativos para a resposta, incluindo 14 embarcações, seis helicópteros e quatro aeronaves, o que assegurou apoio logístico às zonas mais críticas. Paralelamente, a ActionAid Moçambique e parceiros estão no terreno a realizar levantamentos de necessidades, a preparar planos de resposta humanitária e a manter monitoria contínua da evolução da situação.