ELSA MANHIQUE PERDEU TUDO E PEDE APOIO PARA RECOMEÇAR NA MANHIÇA
“Todas as casas e coisas estão dentro da água. Não temos nada. As casas caíram. Saímos sem documentos, sem roupa, sem nada”.
Elsa Manhique, residente da zona de Buna, no distrito da Manhiça, é um dos muitos rostos do drama humano provocado pelas cheias que assolam o sul de Moçambique.
Mãe de cinco filhos, viu a sua vida virar de cabeça para baixo quando as águas subiram de forma repentina, obrigando-a a fugir sem qualquer pertença. Actualmente, Elsa encontra-se reassentada no centro de acolhimento da Escola Primária 3 de Fevereiro, onde está acompanhada por dois dos seus filhos. Os outros três ficaram acolhidos por familiares na vila da Macia, província de Gaza.
“Tive que fugir de Buna sem nada. Tudo o que tinha a água levou”, relatou Elsa, visivelmente abalada. Segundo contou, a fuga aconteceu num sábado, quando percebeu que já não havia condições para permanecer na comunidade de Buna, em Xinavane.
“Todas as casas e coisas estão dentro da água. Não temos nada. As casas caíram. Saímos sem documentos, sem roupa, sem nada”, desabafou.
No centro de acolhimento, Elsa vive dias de incerteza. Além de alimentos, água potável e mantas, o seu maior apelo é por um terreno seguro onde possa reconstruir a sua vida longe das zonas baixas.
“Queremos terrenos aqui na zona de 3 de Fevereiro para ter casa. Não queremos voltar a construir nas zonas baixas. Agora não sei por onde começar, nem o que vai acontecer quando voltar a chover”, lamentou acrescentando que perdeu contacto com alguns familiares que ficaram em Buna.
As zonas de Josina Machel, 3 de Fevereiro e Xinavane estão entre as mais afectadas pelas cheias no distrito da Manhiça. Estradas encontram-se cortadas e cerca de 6.000 hectares estão inundados, o que afecta aproximadamente 3.000 famílias que vivem actualmente em situação crítica.
Perante a gravidade da situação, a Associação ActionAid Moçambique (AAMoz) realizou, uma visita ao distrito da Manhiça para avaliar, no terreno, as necessidades humanitárias mais urgentes das populações afectadas pelas cheias, incluindo alimentação, água, saneamento, abrigo e protecção.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), até 19 de Janeiro de 2026, cerca de 600 mil pessoas foram afectadas pelas cheias em todo o país, número que poderá chegar a 1,1 milhão devido à persistência das inundações e às descargas controladas das barragens. Estima-se que 392 mil pessoas estejam deslocadas, muitas delas com as suas casas destruídas ou severamente danificadas.