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“O MEU MARIDO FICOU RETIDO EM BUNA, NÃO ESTÁ CONTACTÁVEL. NÃO TEMOS NADA, TUDO FOI COM A ÁGUA”

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“Precisamos de roupa, mantas e kits de higiene”.

Victória Luís, mãe de três filhos, entre eles um com deficiência, todos apoiados pelo Programa de Patrocínio da ActionAid, tenta sobreviver às cheias severas que devastaram a sua comunidade, no distrito da Manhiça, na província de Maputo. 

Victória e os seus três filhos ficaram retidos durante dias, com a água a atingir a altura dos ombros, até serem resgatados — sem levar nada consigo.

“Ficámos retidos, ficámos dentro de água. Tudo foi levado pela água, que chegava até aos ombros”, relatou Victória.

Durante o caos, o marido ficou retido na zona de Buna, sem possibilidade de comunicação, tendo deixado Victória sozinha a cuidar das crianças, todas em situação de grande vulnerabilidade.

Victória explica que a sua família perdeu tudo durante as cheias.

“Perdemos pratos, camas, roupa, comida… não temos nada. O meu marido ficou em Buna, não está contactável. Não temos nada, tudo foi com a água. As crianças não têm nada”, contou, referindo-se em especial à filha com deficiência, que agora enfrenta dificuldades acrescidas por falta de cuidados e bens básicos.

No centro de acomodação de 03 de Fevereiro, onde actualmente se encontra, a luta pela sobrevivência continua a cada dia. 

“Aqui comemos arroz e feijão. Hoje tomámos chá, mas há dias em que não comemos nada. Por exemplo, hoje, ainda não comemos nada”, desabafou Victória.

Sem roupa suficiente, expostas ao frio e à fome, Vitória faz um apelo urgente por apoio humanitário.

“Precisamos de roupa, mantas e kits de higiene”.

As inundações, registadas em Janeiro de 2026, já afectaram mais de 651 mil pessoas em todo o país, tendo deixado cerca de 95 mil pessoas acolhidas nos centros de acomodação instalados pelo governo.